A crise como oportunidade de comunhão e crescimento

Jonas Nascimento

A comunhão cristã é expressa como fator essencial para que possamos ser igreja de Jesus Cristo. Paulo expressa isso de maneira magistral, quando ministra à igreja de Éfeso. “Pois há um só corpo e um só Espírito, assim como vocês foram chamados para uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de tudo, o qual está sobre todos, em todos, e vive por meio de todos” (Efésios 4.4-6).

A feliz comparação que o apóstolo faz com a figura do corpo nos ensina muito. Remete-nos a ideia fundamental da unidade. Assim orou o Senhor Jesus: “Minha oração é que todos eles sejam um, como nós somos um, como tu estás em mim, Pai, e eu estou em ti. Que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.21). Da minha perspectiva, a unidade é poderosa, pois ela nos ajuda a olhar e caminhar na mesma direção, testemunhando a nossa fé e esperança em Cristo.

Também a imagem do corpo nos lembra da interdependência, mostrada pela diversidade dos membros. O corpo é um só mas temos diversos membros, por isso, precisamos uns dos outros. Isto é mutualidade. Na comunhão, devemos nos reger pela reciprocidade apoiando uns aos outros, contribuindo para o crescimento saudável uns dos outros e de cada um dos membros do corpo.

A palavra também nos alimenta com a certeza de que a comunhão se dá com o fluir do Espírito em nós. “Há um só Espírito”. Com todas as letras, é o Espírito Santo que soprando sobre nós pode nos fazer verdadeiramente unidos amando e cuidando uns dos outros. Ele nos conduz a relacionamentos saudáveis. “O que diferencia as pessoas mais felizes das menos felizes é a presença de relacionamentos ricos, profundos, significativos, que dão prazer e transformam a vida” (John Ortberg, 2011, p. 259).

Portanto, nossa comunhão em Jesus deve nos levar a aprofundar nossos relacionamentos. E é interessante que, mesmo em meio a uma pandemia, com atividades presenciais suspensas, temos experimentado este desejo de apoiar uns aos outros. Nos momentos de cultos pelas mídias sociais, temos visto os irmãos e irmãs interagindo de maneira muito feliz e, principalmente, muito desejosos de saber um do outro e um manifesto desejo de reencontrar brevemente. 

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) Tedros Adhanom escreveu: “A Covid-19 está nos tirando muito, mas também está nos dando algo especial: a oportunidade de agir juntos, como uma só Humanidade, de trabalharmos juntos, aprendermos juntos, crescermos juntos.” A igreja de Jesus precisa ser exemplo nesta direção.

Deus nos diz pela boca do apóstolo Paulo que “há um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. O nosso Deus trabalha por nós e leva-nos a “trabalharmos juntos, aprendermos juntos e crescermos juntos”.

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