Bons Membros da Igreja X Discípulos em Crescimento

por John Whittaker  – Trad. J.C. Pezini

Nos últimos anos me vi refletindo sobre o contraste entre bons membros de igreja e discípulos em crescimento. Isso, por sua vez, me levou a considerar as diferenças sutis entre igrejas que enfatizam o fazer discípulos que crescem na vida espiritual e igrejas que não enfatizam isso, mesmo que essas igrejas sejam o que descreveríamos como igrejas saudáveis e em crescimento.

Penso que este é um ponto criticamente importante, e depois de trinta anos de ministério e treinando líderes, concluí que, muitas vezes, colocamos ênfase e foco em produzir bons membros de igreja ao invés de fazer discípulos em crescimento  na vida cristã.

Bons membros de igreja poderiam ser definidos como aqueles que:

  • Participam regularmente das atividades da igreja;
  • Servem com alguma capacidade em ministérios;
  • Ofertam de forma consistente e sacrificial e;
  • Possuem compromisso de alguma forma.

Por essa definição, qual pastor não gostaria de uma igreja cheia de bons membros de Igreja? Então, enfatizamos e celebramos bons membros de igreja. Temos reuniões de planejamento estratégico, treinamentos, conferências e livros, todos voltados para ter cada vez mais desses tipos de pessoas em nossa igreja.

Na realidade, uma pessoa poderia fazer todas essas coisas e ainda não estar vivendo como um discípulo de Jesus, alguém que caminha em tornar-se cada vez mais parecido com Jesus.

Agora, para ser justo,discípulos em crescimento geralmente fazem algumas das mesmas coisas que os bons membros de igreja fazem… eles servem, comparecem e ofertam. No entanto, essas coisas são secundárias à sua vida em Cristo, não primárias. Servir, assistir, ofertar, etc., deve fluir de seu discipulado com Jesus, não apenas do seu compromisso com uma igreja local.

Discípulos em crescimento poderiam ser definidos como aqueles que:

  • Organizam suas vidas para estar com Jesus;
  • Buscam intencionalmente ter o caráter de Jesus;
  • Amam cada vez mais o que Jesus ama;
  • Estão comprometidos com a missão de Jesus por causa de sua devoção a Jesus.

Para a maioria das igrejas e seus líderes, mudar o foco para formar discípulos em crescimento é ao mesmo tempo sutil e trabalhoso. Pois isso vai reorientar o que priorizamos, o que medimos e o que celebramos.

Ao fazermos bons membros de igreja colocamos muitas vezes a organização em primeiro lugar – seu crescimento, sua saúde financeira, seu tamanho, etc. Enfatiza e celebra tudo o que a organização está fazendo e quantas pessoas a organização já envolveu. Os líderes dizem coisas como “não poderíamos fazer isso sem você…”. O objetivo é ajudar a organização a florescer, e as pessoas são chamadas e celebradas quando participam desse objetivo.

Mas, quando o foco é formar discípulos, as pessoas se movem para a frente e a organização existe para ajudar as pessoas a crescer e permitir seu florescimento.

Quando discípulos em crescimento é o foco, as perguntas então se tornam:

  • Como podemos ajudar as pessoas a ordenar suas vidas cotidianas em torno de sua relação com Jesus?
  • Como podemos intencionalmente guiar as pessoas para se tornarem como Jesus, de dentro para fora?
  • Como a transformação acontece e os nossos programas e eventos estão realmente facilitando tal transformação?
  • Como podemos fazer com que as pessoas vivam como discípulas que fazem discípulos?

O objetivo não é mais ter uma grande igreja, mas, formar grandes seres humanos — humanos que estão intencionalmente e cada vez mais se movendo ao longo de um caminho para se tornar como Jesus.

Descobri que para mim e para outros pastores com quem trabalhei, reconhecer as diferenças entre um bom membro da igreja e um discípulo em crescimento traz muita clareza às prioridades nas quais devemos nos concentrar como pastores e líderes se quisermos realizar a missão central da igreja — fazer discípulos. Isso esclarece o alvo e nos ajuda a ver claramente se nossos planos estão definidos sobre as coisas erradas.

Além disso, reconhecer essas diferenças nos concentra no que um discípulo realmente deve ser em contraste com alguém que é apenas um membro ativo e envolvido da igreja, mas não é focado em se tornar como Jesus de dentro para fora.

A vida é mais

Marcio Tenponi

Vivemos tempos muito difíceis. Dor, sofrimento, medo, incertezas e morte são as palavras de ordem. A pandemia retirou da humanidade aquele sentimento de poder, realização e segurança em seus feitos e capacidade. 

Todos estão sendo impactados e afetados por tudo que estamos vivendo. E cada um a seu modo tem tentado lidar com a situação. Negação, pavor, desespero, alienação, desânimo, falta de sentido e vazio na vida, são algumas das diversas formas que muitos estão enfrentando a situação. 

Para piorar, esta realidade trouxe de forma intensa a pergunta: o que é a vida? No final das contas, é disso que se trata em situações tão intensas como a que estamos vivendo. Direta ou indiretamente, todos estão respondendo a pergunta: o que é a vida?

Ao lidar com a grande questão o que fica patente é o verdadeiro pressuposto de visão de mundo construído com maior intencionalidade desde o século XVIII de que a vida se resume a esta existência. Ou seja, esta realidade que vivemos é a única que existe. 

Por isso, a falta de sentido, o vazio, o medo, o desespero, a dor, o prazer efêmero, as drogas ilícitas e lícitas, a ganância, o poder e o abuso dele, a disputa e rivalidade, a riqueza, os aplausos dos outro (ou seguidores das mídias sociais), o egoísmo e individualismo, o consumismo, as dores e sofrimentos e por fim, a morte é o que nos resta. 

Este fato serve inclusive para cristãos, como salientou o Apóstolo Paulo ao apontar para a visão de mundo estabelecida pelo Evangelho que estava se perdendo na Igreja de Corinto:

“Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão.” 1 Coríntios 15:19 NVI

A mensagem do Evangelho anuncia, como Paulo afirma no restante do texto: A VIDA É MAIS!!!!   É mais do que apenas esta existência, a vida tem seu propósito na ressurreição que proclama a restauração e transformação de todas as coisas.

Assim, porque A VIDA É MAIS podemos enfrentar todas as situações com esperança.   

Porque A VIDA É MAIS sentiremos a dor da perda, da saudade, das derrotas e fracassos, mas sustentados pela certeza do amor e presença do Pai que está nos céus. 

Porque A VIDA É MAIS podemos nem entender os motivos pelos quais as coisas acontecem, mas confiamos na misericórdia e bondade do Pai que está nos céus. 

Porque A VIDA É MAIS podemos enfrentar a falência econômica ou a morte física com a garantia de que a Vida que é Jesus já venceu a morte e inaugurou o tempo da redenção.  

Porque A VIDA É MAIS podemos viver a partir da fé, esperança e amor. Amém! 

A tentação da liderança

Glenn McDonald

Qual é o versículo mais patético digno de contrariedade da Bíblia?

Existem vários candidatos. Mas, um dos finalistas deve ser Êxodo 32:24 quando Arão, o primeiro sumo sacerdote de Israel, abandona toda responsabilidade de liderança e prestação de contas diante de seu irmão Moisés.

Moisés subiu ao Monte Sinai e lá ficou por 40 dias – recebendo, entre outras coisas, os Dez Mandamentos. Arão permaneceu com o povo, que, tendo sido liberto recentemente da escravidão do Egito no Êxodo, aparentemente está competindo para ver o quão rápido eles podem quebrar todos os dez. A multidão se aproxima de Arão e começa a choramingar. Nós estamos cansados ​​de ficar presos no deserto. “Faça para nós deuses que irão diante de nós …”. É hora de chegar a algum lugar. É hora de trocar de deus. Os israelitas imploram a Arão para inventar um deus que eles possam controlar.

Arão se dobra. “Tirem os brincos de ouro de suas esposas, de seus filhos e de suas filhas que estão usando e traga-os para mim”. Arão mais do que depressa faz um molde de ídolo na forma de um bezerro. Por que um bezerro?

Com toda a probabilidade esse ídolo representa um touro – antigo símbolo de vitalidade, força e potência. Como o historiador Thomas Cahill observa em seu livro The Gifts of the Jewish, isso é algo com que as pessoas podem se identificar e se compreender. Êxodo 32:6 relata: “No dia seguinte o povo levantou-se cedo e ofereceu holocaustos e apresentou ofertas de comunhão. Depois, eles se sentaram para comer e beber e se levantaram para se deliciar com a folia”. “Folia” é uma tradução gentil. Isso é algo da ordem de magnitude além da média era na verdade uma festa carnavalesca. Pior ainda é o que Arão disse ao povo na noite anterior: “Amanhã haverá uma festa ao Senhor!”

A palavra hebraica para “SENHOR” neste versículo é Yahweh. Esse é o nome especial do Deus da Aliança. Arão não é apenas cúmplice da idolatria, mas tudo está sendo feito em nome de Deus.

Uma coisa é desobedecer a Deus mentindo, roubando ou trapaceando. Mas é muito pior dizer que Deus endossa minha mentira sobre declaração de meus impostos, ou, que Jesus se solidariza com minha necessidade emocional de continuar um relacionamento secreto fora do casamento.

Como pastor, sei que não é fácil ser Arão. Todo líder espiritual é tentado a se afastar dos limites que Deus traçou claramente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. 

Eu sei como sou suscetível a essa tentação. Se você vier a mim em busca de orientação espiritual, quero sinceramente dizer-lhe algo que o deixará feliz. Então, quero que você coloque algo imediatamente nas redes sociais: “Meu pastor! Você tirou meus fardos e resolveu cada um dos meus problemas”.

A propósito, a maneira mais fácil de fazer isso e arruinar sua vida e a minha ao mesmo tempo será diminuindo os padrões de Deus – e depois mentindo para você mesmo dizendo que é isso que Deus quer que façamos.

Quando Moisés desce do Monte Sinai ele não pode acreditar que seu irmão mais velho, em apenas 40 dias, desabou tão completamente. Ele disse a Arão: “O que essas pessoas fizeram com você, para que o levasse a tal pecado?”. Eles te ameaçaram? Eles te torturaram forçando-o a assistir a todas as quatro temporadas de Saved by the Bell?

O que nos leva à explicação de Arão para seu comportamento. “Não fique zangado”, disse ele a Moisés. “Você sabe como essas pessoas são propensas ao mal.”

Lição de liderança nº 1: Não importa o quão necessitados e irracionais aqueles a quem servimos possam ser em um determinado dia, é sempre nossa responsabilidade fazer o que é certo. Culpar aqueles a quem somos chamados a amar é um obstáculo. Arão continua: “Eu disse a eles: ‘Quem tiver alguma joia de ouro, tire-a’. Então eles me deram o ouro, e eu joguei no fogo, e este bezerro saiu!” (Ex. 32:24).

Lição de liderança nº 2: Assuma a responsabilidade. Todos do povo e Arão sabem que há um bezerro de ouro no meio do acampamento porque nós o fizemos, e não outra pessoa o fez.

Todos nós somos chamados para exercer liderança nas coisas de Deus, mesmo não tendo um título especial. E os líderes devem escolher seguir a missão que Deus colocou diante deles, mesmo que a multidão esteja implorando para que aceitemos algo menor.

Tradução de J. C. Pezini

Exercitando a visão para perceber o Cristo que fala conosco!

José Carlos Pezini

Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Eles lhe perguntaram: “Mulher, por que você está chorando? ” “Levaram embora o meu Senhor”, respondeu ela, “e não sei onde o puseram”. Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu. Disse ele: “Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando? ” Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: “Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei”. Jesus lhe disse: “Maria! ” Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aramaico: “Rabôni! ” (que significa Mestre). Jesus disse: “Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês”. Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor! ” E contou o que ele lhe dissera”. João 20:11-18

Tudo indica que Maria Madalena, amiga e seguidora fiel, conviveu muito próximo de Jesus e dos doze. Foi ela quem tomou a iniciativa de ir ao túmulo no domingo bem cedo numa última homenagem ao seu Senhor. E por este motivo, também, foi ela quem primeiro testemunhou o Cristo Ressuscitado. Mas, curiosamente ela não reconheceu de imediato Jesus, embora ele estivesse ali bem perto dela.

O que fez com que esse Cristo, antes tão próximo, fosse confundido com um desconhecido? Como ela não O reconheceu, estando o Senhor ali bem perto dela? Será que era pelo fato de Jesus ter se manifestado em um corpo glorificado?   Maria estava diante de um mistério que destoava do que ela conhecia até então, o corpo material do Senhor. 

Mas há duas metáforas importantes que, se não respondem objetivamente à questão, trazem verdades espirituais que transcendem a experiência de Maria e tocam em nossa própria relação com o Senhor.  

A primeira é a de que, enquanto Maria estivesse procurando por um Jesus Morto, teria dificuldades de enxergar o Cristo Vivo, ainda que o tivesse diante dela. Isso indica que nós também não encontraremos o Senhor se o reduzirmos a leituras e imagens. Antes, devemos criar espaços para diálogos diários que torne Vivo Aquele que não é um personagem nem um conjunto de ideias, mas uma Pessoa.   

A segunda pista é a de que Maria ouve as primeiras palavras do Senhor sem reconhece-Lo, mas, quando Ele a chama pelo nome e diz: “Maria!”, a névoa se dissipa e ela enxerga o Cristo ressuscitado. Impossível não evocar o momento em que o Senhor reivindicava o título de bom pastor, aquele cuja voz as ovelhas ouvem e seguem: “Ele chama as suas ovelhas pelo nome e as leva para fora. Depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz” (Jo 10, 3-4).

O Senhor, como Pastor, nos encontra não apenas pelo entendimento, mas pelos sentidos. Exercitar a visão de um Jesus vivo e praticar a escuta de uma voz singular que nos chama pelo nome, eis os dois caminhos para encontrar nosso Senhor na madrugada de um dia surpreendente.

J.C. Pezini é diretor do Instituto Sara

A Deus Ansiedade

Cesar Junker

Há uma acentuada epidemia de ansiedade em nossos dias devido à pandemia do COVID-19. Pelo desejo de acumular bens de consumo e controlar o futuro para tentar, sem sucesso, aplacar o vazio da nossa alma, vivemos ansiosos e esbaforidos, perdendo a saúde, os relacionamentos e a paz. A ansiedade é um dos principais fatores de adoecimento hoje, desencadeando vários transtornos emocionais, psicológicos, físicos e espirituais.

Jesus não abordou a ansiedade como uma doença física, mas como uma maneira de encarar a vida, a qual revela falta de confiança em Deus. Ele aponta para as nossas pré-ocupações, ou seja, ocupar-se antes, que é um estado de incerteza e insegurança sobre o futuro e sobre as questões básicas da vida. Diante desse contexto de insegurança Jesus nos ensina duas atitudes fundamentais para não sermos escravizados pela ansiedade.

Primeiramente, Ele nos ensina a confiar em Deus. O Mestre contrasta os que vivem para as riquezas e, aqueles que vivem para Deus numa disposição de confiança e dependência. De fato, não há como ser apaixonado pelas riquezas e ser liberto das ansiedades. Ele nos convida em Mateus 6:26-27 a aprendermos ter confiança e dependência do Senhor com a simplicidade da natureza: “Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora à sua vida?  Para Jesus, a vida como presente de Deus, vale mais do que aquilo que se come e do que se veste. Nossa vida é mais valiosa do que as necessidades imediatas e mesmo assim, o Pai Celeste está atento a todas elas. O convite de Jesus não é para que abandonemos o nosso trabalho e vivamos de contemplação. Seu convite a nós é para um jeito de viver que prioriza a presença de Deus e nossa completa dependência em Sua Providência. É uma proposta de vida com valores eternos e com a consciência de que Deus não deixará faltar nada de essencial a uma vida digna e cheia de esperança.

Em segundo lugar, Ele nos ensina a viver um dia de cada vez. Isso significa saber dar importância ao que realmente vale a pena! Vivemos numa sociedade que, por querer controlar o futuro, tem produzido em nós um vício de antecipação das pré-ocupações da vida. Muitos abrem mão de viver o presente para viver um futuro que ainda não existe. Na realidade, não conseguem ocupar a mente e as energias no presente porque se ocupam com antecipações e deixam de desfrutar as experiências de cada dia. O respeitado pregador Charles Spurgeon disse certa vez: “Nossa ansiedade não esvazia o sofrimento do amanhã, mas apenas esvazia a força do hoje”. Quando Deus é o Senhor da nossa vida as angústias e antecipações com as pré-ocupações futuras se desfazem com a certeza de que o amanhã já está garantido e o presente é recheado da promessa de que o necessário para a vida nos será provido. É preciso ver a vida como um presente de Deus e como uma construção diária, bem expressado na bela canção de Almir Sater: “Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais…”. Jesus viveu intensamente e refletidamente cada dia e, assim, por ter vivido a essência da humanidade sendo gente de verdade, tinha autoridade para dizer: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6.34).

Vivamos confiando em Deus, nosso Pai amoroso e, aprendendo com Jesus a viver um dia de cada vez com gratidão, serenidade, sabedoria e esperança!

ORAÇÃO: Pai amoroso, sou grato(a) pela vida completa que há em Jesus e isso é presente Teu. Mesmo com as marcas que carrego da vida, tenho percebido o Teu constante cuidado. Aumenta a minha fé e ajuda-me a confiar totalmente em Ti e a viver cada dia com o coração repleto da Tua paz! Oro em nome de Jesus. Amém!

Cesar Junker é pastor da I.P.I. Lagoa Dourada em Londrina, PR.

Aprendendo a “lamentar”

Cesar Junker

“Esperança é o que fazemos enquanto esperamos”, disse o Pr. Caio Batista. Em dias em que as notícias não são boas, podemos aprender com o profeta Habacuque sobre como cultivar a esperança. O livro é uma conversa entre o profeta e seu Deus. Há o registro de dois diálogos, encerrando com uma canção de adoração revelando que todas as perguntas foram respondidas e a confiança de Habacuque em Deus foi renovada.

Assim começa seu livro: “Advertência revelada ao profeta Habacuque. Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças? Até quando gritarei a ti: “Violência!” sem que tragas salvação? Por que me fazes ver a injustiça, e contemplar a maldade? A destruição e a violência estão diante de mim; há luta e conflito por todo lado. Por isso a lei se enfraquece, e a justiça nunca prevalece. Os ímpios prejudicam os justos, e assim a justiça é pervertida” (Hc 1.1-4).

Habacuque nos ensina a lamentar, algo fundamental para uma espiritualidade viva e honesta. Não temos muitas informações pessoais sobre ele, exceto que formulava perguntas e obtinha respostas. Era uma pessoa que não estava conseguindo conciliar sua fé num Deus justo e bom com os fatos da vida como ele os via. Ele carregava muitos “por quês?”, à semelhança de perguntas que fazemos hoje, como: “Por que Deus, sendo justo, bom e todo-poderoso, não põe fim a tantos males no mundo?”.

O livro do profeta Habacuque é fascinante. A maioria dos profetas são diretos e até agressivos ao apresentar os oráculos divinos, ao pregar Sua Palavra e, chamar o povo ao arrependimento. Mas diferente no tom, Habacuque falao que queremos dizer para Deus!  Nos identificamos com ele quando verbaliza seu espantodiante da Soberania do Senhor (totalmente outro), mostrando sua impotência diante das circunstâncias e, revelando suas tentativas confusas de encontrar sentido nas coisas. Ele lamentou, deu voz à sua dor, tomou coragem para desabafar com Deus. Habacuque traz honestidade e robustez à nossa fé, pois, é impossível sermos íntimos de Deus se não formos honestos com Ele e, é justamente aqui que entendemos o lugar do lamento na vida do povo de Deus.

O sofrimento é realidade humana universal e parte integrante da vida – ser humano é sofrer.  Ninguém consegue isenção! Por isso, lamenta quem assume e abraça a sua finitude. Lamentar é um desabafar honesto Àquele que nos conhece por inteiro e pode todas as coisas. Deus é aberto e atento aos nossos desabafos. Sendo verdadeiros, não há nada que não possamos falar a Deus. O exercício espiritual da lamentação é um remédio contra a hipocrisia e o cinismo espiritual. Ela nos torna mais humildes, mais humanos e simpáticos às feridas das pessoas!

O lamento bíblico olha para a vida humana diante de um Deus santo, apontando para nossa finitude, nossa natureza pecaminosa, nossa necessidade de redenção e nossa confiança na comunhão com Deus através de Cristo. O cristão pode enxergar através da escuridão, crendo neste ensino do Apóstolo Pedro: “Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês” (1 Pedro 5.7). Não há motivo pelo qual lamentar que Cristo já não tenha experimentado e passado em nosso lugar, e vencido. Jesus é a resposta para todas as perguntas e a solução para todas as nossas necessidades.

Assim, todas as vezes que lamentamos, podemos imaginar Deus apontando para a cruz e dizendo: “Está consumado”! “Eu fiz tudo o que tinha que ser feito”! A resposta para as perguntas do nosso lamento é Cristo! A solução para as nossas necessidades é Cristo! “O Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo” (Apocalipse 13.8). Porque antes de experimentarmos toda e qualquer dor, Deus já tinha o remédio e haverá um dia em que “A habitação de Deus estará com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já haverá passado”. (Apocalipse 21.3-4).

Estamos adentrando o segundo ano de uma pandemia que tem provocado sofrimentos individuais, familiares e sociais. Ela tem gerado medos, inseguranças, mortes, instabilidade política, econômica, social e trazido às pessoas conflitos internos e externos. Todas as perdas vivenciadas nesse tempo geram cansaço, angústia, pânico e inconformidade.

Apoiados, então, pelos salmos de lamentação aprendemos que súplicas e louvor andam juntos. É tempo de aprendermos a lamentar!

Emily Dickinson sugeriu que: “o sofrimento – se esvai – no louvor”. Por isso, agora é tempo de começarmos a exercitar a prática do lamento como um foco renovado para a esperança. Quando Habacuque olhava para as circunstâncias ficava perplexo (1.3), mas quando esperava em Deus e o ouvia, cantava (3.18-19).

Da crise, Habacuque fez tributo de louvor a Deus!

Cesar Junker é pastor da IPI Lagoa Dourada em Londrina/PR

Não fui preparado

Aos meus caros companheiros e guerreiros de caminhada:

Não tenho certeza se em algum momento de minha jornada com Jesus – e como um líder na igreja – aconteceu algo parecido mais como um evento que me levou para ‘fora da estrada’, do que no ano passado.

O grande sinal de desvio nas pistas “normais” me colocou em estradas vicinais que se transformaram em nada mais do que marcas de pneus e, eventualmente, em lacunas entre árvores e pântanos. Não me lembro de nenhum treinamento que eu tenha recebido para este novo desafio… e você?

No entanto, aqui estamos nós, chacoalhando em nossas minivans congregacionais (igrejas locais), tentando manter todos em seus lugares – e o café para não derramar. Estes são e têm sido tempos difíceis. Eles, mais do que nunca, nos pedem para sermos líderes diferentes.

Quanto mais reflito sobre isso, mais me convenço de que grande parte da interrupção é uma coisa boa. Fui forçado a desligar o piloto automático e realmente me envolver com a obra diária do Espírito Santo em minha vida, recebendo discernimento, graça e esperança duradoura.

Sou muito grato à você, por estar disposto a se envolver e fazer o melhor para pastorear o seu rebanho por este terreno acidentado e desconhecido. Sua coragem e tenacidade me inspiram. Sua confiança em Jesus como aquele que, em última análise, segura o volante toca profundamente à minha alma. Obrigado!

Minha oração por você é que o ‘mapa de viagem’ do Evangelho esteja firmemente à sua frente e você termine bem a corrida.

Deixe-me oferecer uma palavra final de encorajamento. Lembre-se:

  1. Você tem UM CHEFE que precisa agradar – Jesus.
  2. Você tem UM TRABALHO a fazer – cuidar bem de SEU rebanho.
  3. Você tem UMA ESPERANÇA para viver – a fidelidade soberana do Rei que está Vindo.

Na mais profunda admiração por você!

Pr. Roy Yanke
Traduzido por J. C. Pezini

As nossas liturgias definem quem iremos nos tornar

Rafael Franco

Deuteronômio 6.4–9 (NTLH): Escute, povo de Israel! O Senhor, e somente o Senhor, é o nosso Deus. 5 Portanto, amem o Senhor, nosso Deus, com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. 6 Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando hoje7 e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem.8 Amarrem essas leis nos braços e na testa, para não as esquecerem;9 e as escrevam nos batentes das portas das suas casas e nos seus portões.

Você tem alguma tradição que precisa sempre cumprir? Nós vivemos na era da informação e da imaturidade crônica. Temos muito acesso a todo tipo de notícias e de conhecimentos e ficamos presos a hábitos vazios, tradições adotadas sem perceber. Assim, nossos corações vão sendo moldados por liturgias diárias que em nada nos ajudam a amar mais a Deus. Os processos de mentoria e formação antigos foram se perdendo ao longo dos anos e foram sendo substituídos por telas e entretenimento, criando assim pessoas escravizadas pelas suas paixões.

O texto bíblico de Dt. 6.4-9 é o centro da tradição judaica, o Shema. Duas palavras chamam a atenção na leitura. Amor e coração. Os mandamentos de Deus são mandamentos para reconfigurar justamente as nossas paixões. Assim, a reconfiguração das nossas vidas começa com nossas liturgias diárias, ou seja: conforme vamos obedecendo os mandamentos de Deus em nosso dia a dia, mais nos tornamos capazes de obedecer os mandamentos de Deus! E quanto mais vivemos isso dia a dia, mais aprendemos a amar corretamente. Abrimos nossa vida para Deus moldar nosso coração.

No livro Você é o que Você Ama, James K. A. Smith diz que: se você é o que você ama e o amor é um hábito, logo o discipulado é uma reformulação dos hábitos de seus amores. Pergunto: se você analisar os seus hábitos, o que eles revelam sobre os seus amores?

Nossos amores são construídos desde nosso nascimento e nos são apresentadas várias versões de uma boa vida que nos prometem suprir nosso coração. Sem perceber embarcamos nas liturgias sociais e nos tornamos aquilo que amamos (aquilo que investimos nosso tempo). O problema é que quando refletimos, vemos que nossa vida está muito distante da vida proposta por Deus e não fazemos ideia de como voltar. Precisamos recalibrar nossos amores.

Para que possamos experimentar uma transformação profunda dos nossos amores temos que abrir espaço em nossas vidas para verdadeiramente amarmos a Deus. Organizar nossas liturgias diárias de devoção, prestar atenção aos nossos hábitos e investir tempo com as pessoas que Deus nos chamou para amar são cuidados simples que, no longo prazo, causam um impacto profundo em quem nos tornamos. Essa reconfiguração dos amores é obra do Espírito Santo em nós para que amemos cada dia mais Aquele para o qual nosso coração foi feito para amar, Jesus Cristo o Senhor.

Rafael Franco é pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Campinas

Caminhos para o crescimento espiritual

Jonas Nascimento

Encontrei uma perspectiva interessante sobre como crescer em Cristo, no livro “Sendo quem Eu quero Ser”, de John Ortberg (publicado pela Editora Vida). Partindo do exemplo de Davi, que não conseguiu ir para a batalha contra Golias com as armas do Rei Saul, Ortberg afirma: “A Bíblia não diz que você é um utensílio de Deus, mas que você é uma obra-prima. Utensílios são produzidos em massa. Obras-primas são manufaturadas. Deus não fez você idêntico a mais ninguém”.

Esta é uma perspectiva bastante interessante para pensar sobre como crescemos como discípulos de Cristo. Cada um tem de se aproximar de Jesus como pessoa única criada por Deus. “Deus nunca produz duas pessoas iguais. Ele é um artesão, não um fabricante de produtos em massa”. Portanto, Deus tem um plano para cada um; Ele deseja realizar algo novo em sua vida. Deus tem um plano para o que Ele deseja para você. E, Ortberg acrescenta: “O crescimento espiritual é fabricado artesanalmente, não produzido em massa. Deus não trabalha com ‘tamanhos únicos’”.

Então, a pergunta é: Qual é o meu caminho? Como eu posso crescer em Cristo? 

Outro autor, Gary Thomas, diz que todos nós temos o que ele chama de “caminhos sagrados” – vias que encontramos naturalmente e que nos ajudam a experimentar a presença de Deus. Por exemplo, eu mesmo encontro com o Senhor mais pelo caminho da leitura de um bom livro. Mas, este meu caminho não é o de minha esposa Cinira. Ela vai pelo caminho do ativismo. Ela pode estar plenamente consciente da presença de Deus ao se envolver até o pescoço na preparação de ambientes como a nossa casa ou o templo e dependências. Outras pessoas se conectam melhor com Deus através da natureza, outros investindo em uma causa, outros servindo a quem precisa, outros quando estão na presença de amigos.

De acordo com Gary Thomas, os ‘caminhos sagrados’ são: Naturalista – encontra Deus na natureza; asceta – é atraído por disciplinas; tradicionalista – ama liturgias históricas; ativista – ganha vida espiritual defendendo uma grande causa; cuidador – encontra Deus ao servir; perceptivo – sente Deus através dos cinco sentidos; entusiasta – adora desenvolver-se por intermédio de pessoas; contemplativo – sente-se atraído à reflexão e à oração solitária; intelectual – ama a Deus pelo aprendizado.

Um bom exercício é conhecer cada caminho. Você encontrará um ou dois que chamam mais a sua atenção. E, ao descobrir com quais se identifica mais, você perceberá também que o seu desejo por eles será mais elevado.

Reafirmando, o seu caminho para o crescimento em Cristo será só seu. 

A crise como oportunidade de comunhão e crescimento

Jonas Nascimento

A comunhão cristã é expressa como fator essencial para que possamos ser igreja de Jesus Cristo. Paulo expressa isso de maneira magistral, quando ministra à igreja de Éfeso. “Pois há um só corpo e um só Espírito, assim como vocês foram chamados para uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de tudo, o qual está sobre todos, em todos, e vive por meio de todos” (Efésios 4.4-6).

A feliz comparação que o apóstolo faz com a figura do corpo nos ensina muito. Remete-nos a ideia fundamental da unidade. Assim orou o Senhor Jesus: “Minha oração é que todos eles sejam um, como nós somos um, como tu estás em mim, Pai, e eu estou em ti. Que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.21). Da minha perspectiva, a unidade é poderosa, pois ela nos ajuda a olhar e caminhar na mesma direção, testemunhando a nossa fé e esperança em Cristo.

Também a imagem do corpo nos lembra da interdependência, mostrada pela diversidade dos membros. O corpo é um só mas temos diversos membros, por isso, precisamos uns dos outros. Isto é mutualidade. Na comunhão, devemos nos reger pela reciprocidade apoiando uns aos outros, contribuindo para o crescimento saudável uns dos outros e de cada um dos membros do corpo.

A palavra também nos alimenta com a certeza de que a comunhão se dá com o fluir do Espírito em nós. “Há um só Espírito”. Com todas as letras, é o Espírito Santo que soprando sobre nós pode nos fazer verdadeiramente unidos amando e cuidando uns dos outros. Ele nos conduz a relacionamentos saudáveis. “O que diferencia as pessoas mais felizes das menos felizes é a presença de relacionamentos ricos, profundos, significativos, que dão prazer e transformam a vida” (John Ortberg, 2011, p. 259).

Portanto, nossa comunhão em Jesus deve nos levar a aprofundar nossos relacionamentos. E é interessante que, mesmo em meio a uma pandemia, com atividades presenciais suspensas, temos experimentado este desejo de apoiar uns aos outros. Nos momentos de cultos pelas mídias sociais, temos visto os irmãos e irmãs interagindo de maneira muito feliz e, principalmente, muito desejosos de saber um do outro e um manifesto desejo de reencontrar brevemente. 

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) Tedros Adhanom escreveu: “A Covid-19 está nos tirando muito, mas também está nos dando algo especial: a oportunidade de agir juntos, como uma só Humanidade, de trabalharmos juntos, aprendermos juntos, crescermos juntos.” A igreja de Jesus precisa ser exemplo nesta direção.

Deus nos diz pela boca do apóstolo Paulo que “há um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. O nosso Deus trabalha por nós e leva-nos a “trabalharmos juntos, aprendermos juntos e crescermos juntos”.