A crise como oportunidade de comunhão e crescimento

Jonas Nascimento

A comunhão cristã é expressa como fator essencial para que possamos ser igreja de Jesus Cristo. Paulo expressa isso de maneira magistral, quando ministra à igreja de Éfeso. “Pois há um só corpo e um só Espírito, assim como vocês foram chamados para uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de tudo, o qual está sobre todos, em todos, e vive por meio de todos” (Efésios 4.4-6).

A feliz comparação que o apóstolo faz com a figura do corpo nos ensina muito. Remete-nos a ideia fundamental da unidade. Assim orou o Senhor Jesus: “Minha oração é que todos eles sejam um, como nós somos um, como tu estás em mim, Pai, e eu estou em ti. Que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.21). Da minha perspectiva, a unidade é poderosa, pois ela nos ajuda a olhar e caminhar na mesma direção, testemunhando a nossa fé e esperança em Cristo.

Também a imagem do corpo nos lembra da interdependência, mostrada pela diversidade dos membros. O corpo é um só mas temos diversos membros, por isso, precisamos uns dos outros. Isto é mutualidade. Na comunhão, devemos nos reger pela reciprocidade apoiando uns aos outros, contribuindo para o crescimento saudável uns dos outros e de cada um dos membros do corpo.

A palavra também nos alimenta com a certeza de que a comunhão se dá com o fluir do Espírito em nós. “Há um só Espírito”. Com todas as letras, é o Espírito Santo que soprando sobre nós pode nos fazer verdadeiramente unidos amando e cuidando uns dos outros. Ele nos conduz a relacionamentos saudáveis. “O que diferencia as pessoas mais felizes das menos felizes é a presença de relacionamentos ricos, profundos, significativos, que dão prazer e transformam a vida” (John Ortberg, 2011, p. 259).

Portanto, nossa comunhão em Jesus deve nos levar a aprofundar nossos relacionamentos. E é interessante que, mesmo em meio a uma pandemia, com atividades presenciais suspensas, temos experimentado este desejo de apoiar uns aos outros. Nos momentos de cultos pelas mídias sociais, temos visto os irmãos e irmãs interagindo de maneira muito feliz e, principalmente, muito desejosos de saber um do outro e um manifesto desejo de reencontrar brevemente. 

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) Tedros Adhanom escreveu: “A Covid-19 está nos tirando muito, mas também está nos dando algo especial: a oportunidade de agir juntos, como uma só Humanidade, de trabalharmos juntos, aprendermos juntos, crescermos juntos.” A igreja de Jesus precisa ser exemplo nesta direção.

Deus nos diz pela boca do apóstolo Paulo que “há um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. O nosso Deus trabalha por nós e leva-nos a “trabalharmos juntos, aprendermos juntos e crescermos juntos”.

Quando Menos é Mais: menos conversa, mais coerência!

João Paulo R. de Souza e Silva, pastor da 1ª IPI de Assis/SP

Com o prolongamento do isolamento social passamos a viver um momento no qual o excesso de discursos começou a se tornar cansativo e enfadonho. Todo dia tem uma live diferente para assistir: conversas de celebridades, show na casa de famosos e uma infinidade de cultos e pregações. Enfim, por conta dessa exposição excessiva a inúmeras vozes, as palavras vão se esvaziando de significado. O discurso perde sua força, e aquilo que teria o poder de inflamar corações e provocar mudanças não passa de sons repetitivos (tipo a professora do Charlie Brow do desenho Snoop). Resumindo estamos ficando cansados de tanta conversa. Esperamos e ansiamos por ações e atitudes que tornem os discursos reais, encarnando ideias e pensamentos. Precisamos de menos conversa e mais coerência!

O tema não é novo, pois o apóstolo Tiago – irmão do Senhor (cf. Mt 13.55) – aborda o assunto em sua carta (Tiago 2.14-26). De maneira simples e direta – na verdade, tão direta que provavelmente feriria nossa sensibilidade moderna! – o apóstolo chama os crentes para que vivam de maneira coerente com seu chamado, praticando aquilo que confessam, do contrário a fé torna-se inútil, “morta como um cadáver”, como a Bíblia “A Mensagem” traduz o versículo 26. Meu objetivo não é fazer uma exegese do texto, apenas gostaria de destacar que: se Tiago faz uma recomendação aparentemente tão óbvia; se em seu zelo pastoral ele precisa chamar a atenção das igrejas para esse assunto; muito provavelmente, isso se deve ao fato de que de alguma forma as atitudes não correspondiam às ações.  Ou seja, a fé praticada não correspondia à fé professada!  Se pensarmos ainda que seus ouvintes eram os chamados “judeus da Dispersão” ou “da Diáspora” (cf. Tg 1.1), isto é, aqueles judeus que haviam se convertido ao cristianismo e precisaram abandonar a Palestina por conta da perseguição religiosa, sendo, portanto, um grupo de crentes que se encontrava vivendo em meio às culturas pagãs, e, exatamente por isso, era alvo da observação atenta e desconfiada dos vizinhos gentios (Cf. 1 Pe 3), então, perceberemos que o que está em jogo aqui é a validade que seria dada à mensagem do Evangelho do Reino proclamada por aquelas igrejas.

Penso que funcionava mais ou menos assim: os cristãos diziam que adoravam um Deus que abriu mão de todo o seu poder e majestade. Um Deus que se esvaziou de sua divindade e tornou-se um ser humano, e, como homem, continuou abrindo mão do poder, não sendo encontrado nos palácios, mas na periferia do Império entre os pobres e excluídos da sociedade. Esse homem possuía uma marca: sua característica principal era um amor intenso que se doava pelos outros. Um amor tão radical que o levou a entregar-se como sacrifício. Um justo em favor dos injustos. Ora, esse era um pensamento completamente estranho para a mentalidade imperialista que idolatrava o poder. Portanto, se um cristão – que dizia crer no Deus que abriu mão do poder por amor ao outro, agisse de acordo com sua crença, abrindo ele próprio mão do poder, por exemplo, em seus relacionamentos pessoais: tratando sua esposa com dignidade e não como propriedade, tal como as sociedades patriarcais antigas funcionavam; tratando os filhos com atenção e carinho, e não simplesmente como mão de obra, tal como as culturas pré-industriais se organizavam; e até mesmo os escravos com respeito e afeto, talvez até o ponto de libertá-los! Com certeza, isso causaria um grande impacto nos seus vizinhos pagãos, gerando uma de duas reações: ou o vizinho sentiria repulsa pelo cristão e zombaria de sua crença, ou sentiria atração e admiraria aquele estilo de vida. 

Como disse Chuck Colson, fundador do Prison Fellowship Ministries: “As pessoas não eram atraídas para o cristianismo por causa de eventos, cruzadas de evangelização ou meios de comunicação em massa – essas coisas não existiam naquela época. A igreja cresceu porque os cristãos viviam o Evangelho e tinham uma comunidade – uma igreja local – na qual as pessoas realmente amavam umas às outras. Durante as grandes pestilências que assolaram Roma, no século II, todos os médicos fugiram, mas os cristãos ficaram e cuidaram dos doentes. Eles incorporaram o que os cristãos são chamados a fazer. Embora muitos cristãos tenham morrido por ter cuidado dos doentes, os pagãos foram atraídos para Cristo porque viram o amor dos cristãos e do próprio cristianismo como uma forma melhor de viver”.1

Em outras palavras, uma igreja que proclamava que o Reino de Cristo é um Reino de justiça e shalom, obrigatoriamente abolia as barreiras de raça, gênero e cultura (cf. Gl 3.28; At 13.1; Rm 16); uma igreja que proclamava que o Reino de Cristo é o Reino da generosidade e abundância, obrigatoriamente repartia entre si os recursos, de tal forma que, “nenhum necessitado havia entre eles” (cf. At 4.34-35; 2Co 8 e 9); uma igreja que proclamava que o Reino de Cristo era um Reino de liberdade, obrigatoriamente lutava com as armas espirituais e presenciava pessoas sendo libertas (cf. Ef 6.10-17; At 19.11-20; Cl 2.6-23; 1 Pe 5.8-9). Palavras e ações geravam forte testemunho que impelia os de fora da comunidade a se posicionarem: atração ou repulsa, conversão ou perseguição. Nunca, indiferença! 

Sendo assim, podemos concluir que, o objetivo de Jesus foi construir uma comunidade que encarnasse as palavras de vida que ele proclamava e foi apenas isso que ele fez! Ele não se preocupou em construir templos, organizar corais ou estabelecer rituais elaborados. E por cerca de 400 anos a igreja manteve-se fiel a esse programa simples e esse foi o período de maior coerência, e consequentemente de maior impacto. Mas, a partir do momento que a igreja abandonou a simplicidade do projeto de Jesus e começou a perder o foco, por conta da união com o Império provocada por Constantino, a partir do momento que a igreja foi se tornando cada vez mais ocupada e preocupada com seus templos, rituais, vestes sacerdotais, discussões teológicas, corais e uma infinidade de parafernália religiosa, a coerência entre as palavras e ações se enfraqueceu! Por outro lado, sempre que a igreja retornou à simplicidade do projeto original, seu impacto social foi e é enorme. Um dos principais exemplos modernos é a China comunista. Segundo o missiólogo australiano Alan Hirsch, em seu livro “Caminhos Esquecidos”, a China antes do regime comunista possuía cerca de 2 milhões de cristãos. Com a tomada do poder por Mao Tsetung, os missionários estrangeiros foram deportados, os pastores locais foram mortos ou presos, templos e propriedades foram confiscados e Bíblias foram queimadas. Quando por volta do início dos anos 80, a chamada “cortina de bambu” foi levantada, e os missionários puderam voltar ao país, pensando que teriam de começar o trabalho do zero, pois tinham por certo que a igreja estava morta, para a glória de Deus, foram surpreendidos com o fato de que os 2 milhões de cristãos tornaram-se cerca de 60 milhões (talvez 80 milhões)! Eles viveram um crescimento exponencial sem poder contar com os templos, cultos públicos, líderes treinados, grupos de louvor e muitas das coisas que achamos serem essenciais e insubstituíveis. Como isso aconteceu? Nas palavras de Hirsch: “Fizemos tantas outras coisas, mas essa é a mais básica de todas. Discipulado. Tornar-se como Jesus, nosso Senhor e Fundador, está no epicentro da tarefa da igreja. Isso significa que a cristologia deve definir tudo o que fazemos e dizemos. Também significa que, para recuperar o ethos do cristianismo autêntico, precisamos reorientar nossa atenção de volta à raiz de tudo, para recalibrar a nós mesmos e as nossas organizações em torno da pessoa e do trabalho de Jesus, o Senhor. Significará levar os evangelhos a sério como os textos primários que nos definem.” 

Por essa razão, penso que o isolamento e a impossibilidade de estarmos nos templos, talvez seja uma das maiores bênçãos que poderíamos receber. Mais uma vez temos a chance de voltarmos à simplicidade do evangelho. Ao discipulado que não é acorrentado pelo isolamento social, mas que se beneficia da tecnologia para gerar proximidade ainda que a distância. Essa é a oportunidade para que esta multidão de “desigrejados”, frustrados e machucados com a religiosidade plástica, meramente estética e incoerente, seja atraída pelo Espírito da Vida, que direciona e energiza o povo de Deus, à medida que esse povo encarna em atitudes simples de amor a esperança futura do Novo Céu e da Nova Terra, fazendo com que o futuro esperado e aguardado seja experimentado agora, no seio da comunidade que se comprometeu a viver a vida do Cristo crucificado e ressurreto, tornando-se ela própria disseminadora de “pequenos Cristos”. Como disse Philip Yancey, em Eclipse da Graça: “cristãos comuns deve seguir um estilo de vida que destoe da cultura ao seu redor, caso contrário nossa mensagem nunca será ouvida. Nisso reside o mais solene desafio enfrentado pelos cristãos que desejam comunicar sua fé: se não tivermos um estilo de vida que, em vez de afastar, atrai outros para a fé, nenhuma de nossas palavras terá importância”. Que Deus nos faça íntegros, para que nossas palavras sejam coerentes com nossas ações.

1- KINNAMAN, David; Descrentes: o que a nova geração realmente pensa sobre o cristianismo e por que isso é importante, p 97;

Vento do Espírito (Pentecostes 2020)

Rev. Mário Sérgio de Góis

“Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar.
De repente veio do céu um som,
como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados”. Atos 2:1,2

Neste dia 31 de maio a Igreja cristã celebra o Pentecostes! Importante festa para os judeus foi justamente durante sua celebração que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos de Jesus reunidos numa casa em Jerusalém. Deste modo, de um lado, cumpriu-se a profecia bíblica do Antigo Testamento (Joel 2) que predizia a descida do Espírito Santo e, por outro, a promessa de Jesus (João 14 e 16) de que enviaria o Consolador.

A bíblia apresenta diferentes figuras relacionadas ao Espírito Santo. Em Atos 2:2 temos uma delas que é o vento – “como de um vento muito forte”. 

Penso ser apropriado refletir neste domingo de Pentecostes sobre o vento e suas influências. Vivemos em plena pandemia do novo coronavírus, o qual soprou sobre a face da terra como um forte vento e ainda continua a soprar.

O vento forte quando sopra tira do lugar quase todas as coisas. A paisagem se altera completamente. Coloca o mundo de ponta cabeça. Perde-se o controle de tudo e põe por terra estruturas mandando para o ar um montão de coisas. É justamente isso que a pandemia do novo coronavírus tem feito. Colocou à prova todos os sistemas que aparentavam segurança. Percebemos a incapacidade da ciência e o sistema de saúde de darem conta da demanda; a economia das pessoas, famílias e nações ruindo ao ver suas reservas financeiras sendo consumidas rapidamente; a incapacidade de certos líderes políticos de articular e organizar uma frente unida contra o vírus e suas consequências; a enorme dificuldade de grande parte da população de seguir orientações e resguardarem a si mesmas e aos outros. O mundo interior das pessoas está se desabando fazendo surgir em meios aos escombros emocionais os conhecidos ‘transtornos e síndromes’ com suas garras. O que fica é uma equação que não fecha: muitas perguntas numa mão e poucas respostas na outra!

O vento forte quando sopra trás revelações. Ele revela que aquilo que aparentava fortaleza não era tanto, e assim deita por terra casas simples e mansões requintadas. Em meio aos destroços e escombros muita coisa é revelada da intimidade e privacidade das pessoas. Do mesmo modo o vento forte desta pandemia tem revelado o pior e o melhor do ser humano. O aumento da violência, os interesses mesquinhos e egoístas, a excessiva preocupação com o vil metal, os oportunistas agindo à margem da lei e da ética para obter lucros, o fosso da desigualdade econômica e social, o vazio das almas sem esperança por não cultivar uma espiritualidade e fé saudáveis, etc. Por outro lado, vemos um despertamento solidário revelando a bondade de pessoas em pequenos ou grandes atos de solidariedade, os profissionais da saúde numa dedicação sacerdotal, profissionais de áreas essenciais se expondo dia a dia, pesquisadores cientistas concentrados em buscar uma vacina contra o vírus e, não menos impactante é a descoberta que as pessoas fizeram de que conseguem viver com pouco e que a simplicidade satisfaz.

Quando o Espírito Santo soprou sobre os discípulos em Pentecostes, tudo mudou. É impressionante a transformação nas vidas dos apóstolos, antes temerosos num isolamento social (João 20:19-23) e agora com coragem anunciando as grandezas de Deus (Atos 2:14-36). O livro de Atos dos Apóstolos é simplesmente a narrativa, na prática, dessa transformação.

E assim, como quando após um tornado que passou os sobreviventes vasculham os entulhos de suas casas à procura de algo que resgate suas identidades e memórias as quais se tornam verdadeiros tesouros existenciais para elas, a humanidade hoje está em cima dos escombros buscando sentido para a vida. É tempo de reorganização e, nesta hora, escolhas são necessárias serem feitas para a reconstrução de um modo de viver e de interagir com o outro.

Mas como discípulos e discípulas de Jesus Cristo, reflitamos neste dia de Pentecostes no fato de que assim como o novo coronavírus é este forte vento soprando, também, devemos crer que o Espírito de Deus está soprando sobre o Seu povo hoje, transformando-o e encorajando-o para o ‘novo normal’ na pós pandemia (Ezequiel 37:9; Salmo 104:30).

E assim oraremos suplicando que o vento que vem dos quatro cantos sopre sobre nós para sermos uma nova igreja para uma nova realidade.

E que, como os discípulos, o Espírito nos encontre reunidos num só lugar! 

5 Resultados Incríveis do JEJUM DE MÃOS ESTENDIDAS

Isaías 58.1-12

José Roberto Cristofani

Domingo de Ramos 2020

Introdução

Luz
Cura
Direção
Proteção
Resposta

Jejum é um exercício espiritual de extrema importância em tempos de calamidade. Já estamos em um movi- mento de oração. Precisamos, agora, aliar o jejum às nossas orações, pois a gravidade do momento reclama de nós “Promulgar um santo jejum” (Joel 1.14).

A pandemia global do novo coronavírus alcançou nosso país e está causando muito sofrimento e aflição no presente e causará muitos outros males depois que a crise passar. Tanto no presente como neste futuro bem próximo, temos grandes desafios como povo de Deus e devemos continuar nos fortalecendo mutuamente para enfrentarmos a pandemia com o auxílio e proteção do Senhor.

Além do distanciamento social, da impossibilidade da comunhão física da comunidade de fé, do aumento de infectados, da multiplicação dos doentes, da assombrosa morte, que tem ceifado a vida de muitos, e ainda o fará, muito além disso, a situação econômica se agravará, os níveis de desemprego aumentará dramaticamente e as dificuldades de subsistência se avolumará.

Parafraseando o Apóstolo Paulo devemos nos perguntar: O que faremos pois, diante dessas coisas? Assistiremos impassíveis ao sofrimento e aflição do povo? Ou tomaremos o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus e enfrenta- remos com determinação a presente situ- ação?

Tempos difíceis reclamam, sempre, o posicionamento firme e determinado das filhas e dos filhos do Altíssimo. Por isso, a promulgação de um “Jejum de Mãos Estendidas” se faz urgente e necessário.

O que é, afinal, um Jejum de Mãos Estendidas?

Com base em Isaías 58.1-12, clássico texto sobre o verdadeiro significado do jejum e sua prática, é possível propor o seguinte quadro de reflexão:

1. O jejum deve ser proclamado por um enviado do Senhor (vv.1-2)

2. O jejum deve ser compreendido no seu significado básico (vv. 3 e 5)

3. O jejum deve ser entendido em seu significado estendido (vv. 6-7)

4. O jejum deve ser desejado pelos seus resultados (vv. 8 a 12)

1. O jejum deve ser proclamado por um enviado do Senhor (vv.1-2)

“Grite alto, com todas as suas forças! Grite alto, como o som da trombeta! Fale ao meu povo, Israel, sobre sua rebeldia e seus pecados! Apesar disso, agem como se fossem piedosos! Vêm ao templo todos os dias e parecem ter prazer em aprender a meu respeito. Agem como nação justa que jamais abandonaria as leis de seu Deus. Pedem que eu atue em favor deles e fingem querer estar perto de mim. Isaías 58.1,2

Enviado pelo Senhor, Deus de Israel, o profeta Isaías, como líder profético da nação, é instado a clamar ao povo nos seguintes termos: “Grite alto, com todas as suas forças! Grite alto, como o som da trombeta! Fale ao meu povo, Israel, sobre sua rebeldia e seus pecados!” (v.1). O mensageiro do Senhor é enviado para dentro de uma situação de sofrimento por causa pecado, neste caso, que está causando uma separação pessoal no tocante a Deus e um distanciamento social em relação ao próximo.

Assim, a liderança profética de Isaías é uma voz contundente a clamar ao povo para que corrija uma prática bem estabelecida da espiritualidade do povo de Deus: o jejum. Todo o trecho de Isaías 58.1-12 é uma d`idaquê, um ensino sobre o verdadeiro e profundo significado da prática do jejum em tempos de calamidade nacional.

Nas palavras de Calvino,

Quando aparecem os julgamentos da ira do Senhor (como pestilência, guerra e fome) – é uma ordenança sagrada e salutar para todas as épocas, que os pastores instem o povo ao jejum público e às orações extraordinárias. (Piper, A hunger for God: desiring God through fasting and prayer, p.187, grifos meus)

Podemos afirmar, claramente, o papel de anunciador profético dos Pastores, que devem, em tempos de pandemia e sofrimento, conclamar o povo de Deus, com grande vigor e autoridade, a um período de jejum. Para usar as palavras bíblicas, eles devem “Promulgar um santo jejum” (Joel 1.14).

Nosso Senhor vê o jejum com naturalidade e também incentiva seus seguidores a jejuar, mas os adverte:

Quando jejuarem, não façam como os hipócritas, que se esforçam para parecer tristes e desarrumados a fim de que as pessoas percebam que estão jejuando. Eu lhes digo a verdade: eles não receberão outra recompensa além dessa. Mas, quando jejuarem, penteiem o cabelo e lavem o rosto. Desse modo, ninguém notará que estão jejuando, exceto seu Pai, que sabe o que vocês fazem em segredo. E seu Pai, que observa em segredo, os recompensará. (Mateus 6.16-18)

O Mestre, quando questionado sobre o porque não proclamava um jejum entre seus discípulos, ele respon- de:

Por acaso os convidados de um casamento jejuam enquan- to festejam com o noivo? Um dia, porém, o noivo lhes será tirado, e então jejuarão. (Lucas 5.34-35)

2. O jejum deve ser compreendido no seu significado básico (vv. 3 e 5)

Dizem: ‘Jejuamos diante de ti! Por que não prestas atenção? Nós nos humilhamos com severidade, e tu nem reparas!’. “Vou lhes dizer por quê”, eu respondo. “É porque jejuam para satisfazer a si mesmos. Enquanto isso, oprimem seus empregados. De que adianta jejuar, se continuam a brigar e discutir? Com esse tipo de jejum, não ouvirei suas orações. Vocês se humilham ao cumprir os rituais: curvam a cabeça, como junco ao vento, vestem-se de pano de saco e cobrem-se de cinzas. É isso que chamam de jejum? Acreditam mesmo que agradará o Senhor? Isaías 58.3-5

Isaías faz o povo ver, primeiramente, o significado básico do jejum, que é a mortificação do corpo e a dependência de Deus nesse período de fraqueza corporal causada pela abstinência de alimento. E esse significado os seus ouvintes parecem saber muito bem, pois: “Dizem: ‘Jejuamos diante de ti! Por que não prestas atenção? Nós nos humilhamos [afligimos] com severidade, e tu nem reparas!’” (v.3). É uma queixa do povo contra Deus. E eles fazem o jejum como manda o figurino: “Vocês se humilham ao cumprir os rituais: curvam a cabeça, como junco ao vento, vestem-se de pano de saco e cobrem-se de cinzas.” (v.5). Mas isso é só casca e verniz para o vazio dos corações.

Contudo, há uma segunda camada de significado do je- jum que não é capturado pelo povo de Deus. O profeta aprofunda a questão ao responder ao povo, em nome do Senhor, com as seguintes palavras:

Vou lhes dizer por quê: – É porque jejuam para satisfazer a si mesmos.” (v.3). O mensageiro do Senhor identifica, de forma precisa, o problema que impede Deus de aceitar o jejum dos ouvintes, qual seja, eles jejuam em causa própria.

E o que é jejuar em causa própria? O final do verso 3 e os versos 4 e 5 descrevem como os jejuadores, através do jejum, acabam por agravar o sofrimento de outras pessoas que estão sob seu mando (oprimem seus empregados) e continuam a brigar e discutir. Isso, definitivamente, não é um jejum agradável ao Senhor.

Aqui é importante mencionar que Jesus valoriza algumas práticas da espiritualidade judaica, como por exemplo: a esmola; a oração; o jejum (Mateus 6); e o dízimo (Mateus 23). Porém, ele diz que jejuar, orar, dar esmola e entregar o dízimo, como um ato mecânico e ritualístico, não é o bastante. É preciso, na opinião do Mestre, acrescentar aos atos de espiritualidade a justiça, a misericórdia e a fé, que são, afinal, as coisas mais importantes da Torah, a lei de Deus.

Assim, Jesus afirma:

Têm o cuidado de dar o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas negligenciam os aspectos mais importantes da lei: justiça, misericórdia e fé. Sim, vocês deviam fazer essas coisas, mas sem descuidar das mais importantes. (Mateus 23.23)

3. O jejum deve ser entendido em seu significado estendido (vv. 6-7)

“Este é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados. Libertem os oprimidos, removam as correntes que prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem de ajuda. Isaías 58:6,7

Isaías, o líder profético, leva adiante sua palavra e explica o significado mais profundo do jejum que Deus exige: Este é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram o significado mais profundo do jejum que Deus exige: presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados.

Libertem os oprimidos, removam as correntes que prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem de ajuda. (vv. 6-7)

Agora a coisa toda está clara. O jejum requerido pelo Senhor é o jejum que ao mesmo tempo mortifica a alma (vida), demonstrando, assim, dependência de Deus, mas vai muito além do âmbito pessoal e se estende ao corpo social em sofrimento e aflição. O jejum mortifica o corpo, mas não mata as pessoas, deixando-as à própria sorte. O jejum se faz com a alma e também com as mãos estendidas.

A relevância desses procedimentos para com as pessoas que estão enfrentando sofrimento não pode ser atenuada. Repare as palavras de Jesus em Mateus 25:

Então os justos responderão: “Senhor, quando foi que o vimos faminto e lhe demos de comer? Ou sedento e lhe demos de beber? Ou como estrangeiro e o convidamos para a nossa casa? Ou nu e o vestimos? Quando foi que o vimos doente ou na prisão e o visitamos?”. E o Rei dirá: “Eu lhes digo a verdade: quando fizeram isso ao menor destes meus irmãos, foi a mim que o fizeram.” (Mateus 25.37-40)

Que fique claro para nós que o Galileu é um herdeiro espiritual dos profetas do Primeiro Testamento e, como tal, segue-lhe os passos em direção à vontade de Deus.

4. O jejum deve ser desejado pelos seus resultados (vv. 8 a 12)

“Então sua luz virá como o amanhecer, e suas feridas sararão num instante. Sua justiça os conduzirá adiante, e a glória do Senhor os protegerá na retaguarda. Então vocês clamarão, e o Senhor responderá. ‘Aqui estou’, ele dirá. “Removam o jugo pesado de opressão, parem de fazer acusações e espalhar boatos maldosos. Deem alimento aos famintos e ajudem os aflitos. Então sua luz brilhará na escuridão, e a escuridão ao redor se tornará clara como o meio-dia. O Senhor os guiará continuamente, lhes dará água quando tiverem sede e restaurará suas forças. Vocês serão como um jardim bem regado, como a fonte que não para de jorrar. Reconstruirão as ruínas desertas de suas cidades e serão conhecidos como reparadores de muros e restauradores de ruas e casas. Isaías 58:8-12

O profeta Isaías, porta-voz de Deus e dos que estão sofrendo por causa das condições sociais da época, indica, finalmente, cinco resultados bem práticos do jejum agradável a Deus: Eles terão luz; receberão a cura; terão direção; gozarão de proteção; e receberão respostas imediatas do Senhor.

O resultado imediato do jejum segundo o coração de Deus será, portanto, luz, cura, direção e proteção, ex- pressas nas seguintes palavras:

Então sua luz virá como o amanhecer, e suas feridas sararão num instante. Sua justiça os conduzirá adiante, e a glória do Senhor os protegerá na retaguarda.” (v.8).

Não menos importante é outro resultado desse jejum divinamente orientado: resposta imediata do Senhor às orações do seu povo. “Então vocês clamarão, e o Senhor responderá. ‘Aqui estou’, ele dirá.” (v. 9). Eles se queixaram de que Deus não estava levando em consideração o jejum deles. Corrigido o rumo e a compreensão acerca do jejum, o Senhor responde prontamente.

Esses cinco resultados incríveis (luz, cura, direção, proteção, resposta) ressoam nos ensinamentos e nas ações de Jesus.

Luz – Ele se declara como a luz do mundo (João 8.12) e a luz brilha em meio as trevas. Consequentemente, diz ele, vós somos a luz do mundo (Mateus 5.14) e na sequência, assim brilhe a vossa luz diante das pessoas (Mateus 5.16).

Cura – A cura vinha pelas suas mãos, pois ele sarava os que necessitavam de cura. (Lucas 9.11). E enviou os seus discípulos para fazerem o mesmo.

Direção – Tomé diz a Jesus “Como podemos conhecer o caminho?” (João 14.5). Mestre afirma: Eu sou o caminho (João 14.16). Assim, ele pode dizer aos discípulos: Vocês conhecem o caminho para onde vou. (João 14.4), portanto, sigam-me.

Proteção – A oração de Jesus para Deus, o Pai, é agora protege-os com o poder do teu nome para que eles estejam unidos, assim como nós estamos. (João 17.11). Essa proteção é comparável àquela na qual a galinha protege os pintinhos sob as asas. (Lucas 13.34).

Resposta – A certeza de que os ouvidos do Senhor estão atentos à oração para responder com presteza aparece em Mateus 7.7,8: Peçam, e receberão. Procurem, e encontrarão. Batam, e a porta lhes será aberta. Pois todos que pedem, recebem. Todos que procuram, encontram. E, para todos que batem, a porta é aberta. Pois, se crerem, receberão qualquer coisa que pedirem em oração. (Mateus 21.22).

Conclusão

O texto de Isaías termina com um resumo da Torah (instrução) profética sobre o jejum nos seguintes termos:

Removam o jugo pesado de opressão, parem de fazer acusações e espalhar boatos maldosos. Deem alimento aos famintos e ajudem os aflitos. Então sua luz brilhará na escuridão, e a escuridão ao redor se tornará clara como o meio-dia. Senhor os guiará continuamente, lhes dará água quando tiverem sede e restaurará suas forças. Vocês serão como um jardim bem regado, como a fonte que não para de jorrar. Reconstruirão as ruínas desertas de suas cidades e serão conhecidos como reparadores de muros e restauradores de ruas e casas. (vv. 9-12)

Maravilhosa mensagem da voz profética de Deus por intermédio do seu servo o profeta Isaías.

A correção da compreensão do jejum pelo profeta é um verdadeiro bálsamo para os nossos corações em tempos de pandemia. Para todos nós, que somos assolados por dúvidas, fustigados pelas “fakes news”, distanciados do convívio social, apartados da comunhão física do povo de Deus, rodeados por pessoas doentes, cercados pelos necessitados, para nós as palavras de Isaías é um alento do Senhor.

Os cinco resultados incríveis do jejum de mãos estendidas são: luz para a sociedade; cura para as enfermidades; direção para o caminho, proteção na jornada e resposta imediata ao clamor.

Jejum de mãos estendidas significa, portanto, mortificar o próprio corpo e estender a mão ao necessitado.

P.S.

Além da mensagem em si, outro fator importantíssimo a ser destacado no texto de Isaías 58 é a maneira com que o profeta fala. Primeiro, ele tem absoluta convicção de que está proclamando a palavra porque Deus o instou a fazê-lo. Segundo, é justamente o nome do Soberano Senhor que lhe dá força para enfrentar a situ- ação; ousadia para confrontar o povo; inteligência para compreender a situação; sabedoria para ensinar com correção; destemor para exortar; fé para acreditar na mudança; paciência para esperar a resposta do Altíssimo; e esperança para confiar no Todo Poderoso.

Frente aos desafios mais urgentes e graves, Isaías, atento ao chamado do Senhor e consciente de sua vocação de porta-voz de Deus e do povo, toma a dianteira e conclama o povo a um jejum agradável a Deus.


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O Instituto SARA a cada ano tem experimentado um crescimento que só pode ser fruto da ação do Espírito Santo. Sem dúvidas, aumentam também os desafios, mas seguimos em frente, olhando para o nosso Mestre Jesus.

Queremos compartilhar com você o nosso novo desafio. Seu nome é LORIEN. Este será o nome do Centro de Treinamento e Formação Espiritual do Instituto SARA. Fomos presenteados por Deus com uma propriedade gigantesca em Agudos/SP, mas o desafio é arrecadar fundos para que essa doação possa ser formalizada. Precisamos e contamos com sua liberalidade, porque você faz parte do SARA.

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Associados Sara

Ser Associado do Instituto SARA significa fazer parte de uma rede de líderes interdenominacionais que cuidam uns dos outros. A associação garante que cada associado conhece e pratica os pilares estabelecidos pelo Instituto SARA. Só pode ser mentor aquele que é associado do Instituto SARA e você só poderá fazer mentoria a partir do momento que decidir associar-se ao instituto SARA.

Abaixo você encontra a lista com os nomes de todos os Associados do Instituto SARA. Essa lista é atualizada ao final de cada mês. Se por acaso seu nome não estiver na lista, clique no botão abaixo e mande uma mensagem por whatsapp para o nosso Diretor Financeiro (Fábio Quintanilha). Se você quer se associar ao SARA, mande também uma mensagem e ele te enviará o link para pagamento.

O valor da associação é de R$15,00 por mês e o pagamento é feito via cartão de crédito, não sendo possível outra forma de pagamento, uma vez que utilizamos uma plataforma de pagamentos recorrentes. 



Persistindo em oração

Ó misericordioso e santo pai, dá-nos sabedoria para perceber-te, inteligência para entender-te, perseverança para buscar-te, paciência para esperar por ti, olhos para contemplar-te, um coração para meditar em ti e uma vida para proclamar-te; por meio do poder do Espírito de Jesus Cristo, no Senhor.
Bento de Núrsia

J.C. Pezini

Não há como falar de espiritualidade sem falar em oração. Não há como falar de ministério sem falar de dependência de Deus. Uma coisa está ligada a outra. Até porque o trabalho pastoral exige daqueles que resolveram obedecer o chamado divino que estejam aos pés do Senhor. Como podemos conduzir o povo que nos foi confiado sem que sabemos para onde o Senhor está conduzindo. Como podemos ensiná-los sem que humildemente nos coloquemos diante de seu altar para aprender dele. Sem falar que uma das tarefas exigidas  da liderança é a intercessão diária por aqueles que Deus nos confiou.

Neste caso podemos perguntar qual é a importância de persistirmos em oração. Será que Deus tem prazer em ver seus filhos mendigando aos seus pés chorando, implorando  para que ele responda nossas orações? Ou Deus é aquele pai que está atento as necessidades de seus filhos que antes mesmo que eles pedem, ele já provem os meios a fim de que eles possam ser providos. Será que Deus se alegra em nosso sofrimento ou em nossa alegria?

Analisemos a parábola em (Lucas 18:1-8) que Jesus conta a seus discípulos ensinando-os a persistir em oração sem desanimar.  Confesso que levei muito tempo para entender este texto. Acho que é um texto difícil de ser compreendido. Difícil porque ao lê-lo a primeira impressão que vem a mente é de um Deus que se alegra em ver seus filhos mendigando aos seus pés para conseguir obter respostas as suas orações. Parece que Deus, por ser o todo poderoso tenta humilhar seus filhos humanos e limitados que necessita de sua benção. Bem, se esta for a primeira impressão que ficou ao lê-lo, preciso dizer que seu conceito de oração precisa ser revisto assim como o meu foi no passado.

Gostaria de deixar claro já de inicio que não é a insistência em oração que fará Deus responder sua oração.  A persistência em oração não é o meio de cansarmos Deus com nossos pedidos, neste caso ele resolve responder para se ver livre da nossa chatice.

Creio que o exercício para entendermos o texto é cavar ao redor para descobrir a razão que levou Jesus a contar esta estória e descobrir qual a importância em se persistir em oração. Creio que o segredo não é a persistência em si, mas o que ela leva. Porque precisamos ser persistentes em oração. Qual o resultado desta prática.

Se verificarmos o contexto veremos que Jesus foi interrogado pelos mestres religiosos da época, aqueles que supostamente eram os encarregados a ensinar o povo sobre Deus sobre a vinda do Reino[1]. Jesus responde categoricamente que o Reino não virá de modo visível, mas ele já está entre nós.  Interessante, o que Jesus está dizendo aqueles líderes religiosos é que eles não estavam conseguindo perceber a presença do Reino.

Por causa desta pergunta, Jesus virá para os seus discípulos é começa a alertá-los a fim de que eles estejam atentos aos sinais do Reino[2]. E para ilustrar este fato, Jesus usa exemplos de duas épocas diferentes. Ele leva seus discípulos a olhar pelo que aconteceu na época de Noé, durante o período em que ele construía  a arca. Jesus denuncia a insensibilidade do povo. Eles estavam tão concentrados em seus próprios interesses, pensando somente em si mesmos que não perceberam a presença do Reino, o mover do todo poderoso chamando a atenção e buscando por um relacionamento. Bem, o resultado nós conhecemos. O povo somente percebeu quando começou a chover, mas a esta altura a porta da arca já estava fechada.  Era tarde demais.

Mas se este exemplo nos fosse o bastante, Jesus  os leva para uma outra época, e oferece outro exemplo que tem finalidade de denunciar a mesma coisa. Olha agora para Sodoma e Gomorra. O povo novamente estava voltado para seus próprios interesses. Em seus míseros projetos pessoais. Tinham se esquecido totalmente de Deus. Eles estavam tão insensíveis que nem se quer perceberam que aqueles que visitavam a cidade naquela noite eram serem celestiais. Estavam tão acostumados em brincar com seus prazeres que ignoraram totalmente. Não perceberam quando Ló e sua família saíram da cidade em companhia de seus hospedes.  Estavam tão insensíveis preocupados de mais consigo mesmos que não conseguiam ter ideia da presença do Reino, do mover do todo poderoso.  Somente perceberam que alguma coisa estranha estava acontecendo quando começou a chover fogo e enxofre.  Mas ai era tarde de mais.

Com essas duas histórias Jesus estava chamando a atenção de seus discípulos, mostrando que até os líderes religiosos não estavam conseguindo perceber a presença do Reino. E começa a ensiná-los mostrando que para discernir o mover de Deus, perceber seus movimentos no mundo é preciso permanecer em oração.  E passa a contar uma história falando da necessidade de orar sempre e não desanimar. Porque orar é uma declaração de dependência de Deus[3]. A frase chave deste texto é: “…deveriam orar sempre e não desanimar”[4]. Não podemos esquecer que  a vida cristã deve ser pautada pela oração. Porque ela é o meio pelo qual ficamos em sintonia com aquele que nos criou e cuida de nós. Harry Emerson Fosdick escreveu: “Um dos conceitos mais errado acerca da oração está no dato de passarmos mais tempo falando com deus, ao passo que a melhor parte da oração é ouvi-lo”[5]. em resumo, a persistência ajuda-nos a crescer espiritualmente.

Na história de Jesus aquela viúva  era tão insistente que importunava. O que levava a fazer isto era a causa importante que ela tinha para ser resolvida[6]. Ela deseja que fosse julgada. Desistir jamais. No entanto, para nossa surpresa, Jesus toma uma viúva como exemplo. Talvez levando em consideração a cultura de sua época. Por ser viúva, ela não podia entrar no Forum, e marcar uma audiência com o Juiz. Não tinha quem falasse por ela. Nese caso, fico pensando que ela tinha que ficar na porta esperando quando ele saísse, ou na porta de sua casa, na cidade, onde ela poderia encontra-lo.

Jesus faz isto para falar da importância de persistirmos em oração.  Falando sobre a persistência na oração Jerry Sittser diz: “Acima de tudo, é necessário perseverar na oração , porque a oração é semelhante ao regente de um coral de virtudes[7].  Na verdade a persistência da oração não força Deus  responder nosso clamor, ou fazer nossa vontade. Pelo contrário, a persistência na oração afeta-nos de maneira positiva diz João Calvino. Mas é ela que nos aproxima de Deus fazendo –nos conhecer sua vontade. É também através dela que nosso relacionamento com Deus se intensifica.

 Para fortalecera importância da vida de oração, por ser ela que nos leva a ganhar discernimento e sensibilidade para perceber o que Deus está fazendo em nós e ao nosso redor, Jesus diz que o Juiz procurado pela viúva era ímpio, dirão. Dois extremos. Ele é descrito como alguém que não teme a Deus e nem se importa com as pessoas. Ele quebra o  mandamento mais importante, que segundo Jesus, resume toda a Lei. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração e ao próximo como a ti mesmo[8]. Podemos dizer que, como requisito básico da Lei, as viúvas deveria ser cuidada. E Thiago reforça este mandamento dizendo que “…a religião pura e verdadeira é aquela que cuida dos órfãos e das viúvas[9].

Mesmo este Juiz sendo descrito por Jesus como durão, ímpio, não resistiu diante da insistência daquela viúva que o importunava dia e noite. Ele atendeu seu pedido. E é neste ponto que Jesus faz o contraste com Deus, não que estivesse comparando Deus a um Juiz ímpio. Porque se até este ímpio que não teme a Deus e nem se importa com as pessoas resolveu atender aquela viúva por causa de sua insistência, acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: ele lhes fara justiça, e depressa”[10].

Ao orar nós nos relacionamentos com o Senhor soberano do universo. Aquele que conhece as motivações de nosso coração. Veja o que Deus diz pela boca do profeta Isaias: “Antes de clamarem eu responderei; ainda não estarão falando eu os ouvirei[11]. E continua falando através do profeta Jeremias dizendo: “Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que vocês não conhece[12]. E para reforçar, o apostolo João declara: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus” Se pedimos alguma coisa de acordo com a  vontade de Deus, ele nos ouvirá. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos[13].

Deus Ouvirá

A maravilhosa descoberta é; Deus responde todas as nossas orações. Sim, ele responde, mas não da maneira que gostaríamos que fossem. Porque ele nos ama e sabe qual é o melhor para nós. No entanto, muitas vezes sua resposta é nos dada de maneira tão sublime que nem se quer percebemos sua resposta. Ele não toca trombeta, ele faz porque nos ama, não espera muita coisa em troca, pois nos conhece. Na maioria das vezes sua resposta é usada para a transformação de nosso caráter e de nossa vida.

Sem dúvida alguma, por mais estranho que possa parecer, necessitamos da oração não respondida da maneira que gostaríamos que fosse. Ela é uma dádiva de Deus para nós, porque nos protege de nós mesmos. Se soubéssemos que Deus respondesse nossa oração da forma que gostaríamos que fossem, oraríamos para mudar o mundo em beneficio próprio, e ele se transformaria em inferno na terra.  Se Deus respondesse todas as nossas orações da maneira que gostaríamos que fossem, eu te garanto que ele nos transformaria em monstros. Se recebêssemos resposta à oração com muita facilidade, perderíamos o interesse, não só pela oração, mas também por Deus.

No entanto, ele responde nossas orações. Ele é honrado quando persistimos em oração. As vezes ele responde rápido, outras vezes ele demora, de acordo com nossa visão. O segredo é persistir, porque a persistência demonstra nossa dependência dele. A oração nunca é rejeitada, desde que não cessemos de orar. O principal fracasso da oração é desistir de orar[14]. A persistência na oração constrói a confiança que Deus deseja para nós. Devemos ser vigorosos  na oração sabendo que ele está nos ouvindo e não desistir até que a resposta chegue.

Jesus encontrou uma grande oportunidade para mostrar aos seus discípulos que a vida cristã é o resultado da comunhão com Deus. E que o relacionamento se dá através da oração. No entanto, não de forma religiosa. Ao fazer isto, ele confronta os religiosos da época que tinha por costume de orar três vezes  por dia. Mas ao fazer devemos ter a compreensão de que Deus veio habitar em nós, e entãodevemos ter a consciência que nossa vida deve ser em constante relacionamento com ele. Fazer de todos os acontecimentos dos nossos dias um palco de devoção. E que somente assim podemos adquirir a sabedoria para discernir seu  movimento ao nosso redor e tomar parte com ele naquilo que ele está fazendo.

O apostolo Paulo tomou emprestado este ensinamento é convocou a igreja a “Orar sem cessar[15]. Este é o grande desafio em nossos dias. Fazer da oração nossa alimentação básica cotidiana.George Mueller a ser perguntado sobre a oração disse: “Eu vivo em espirito de oração. Oro enquanto ando, quando me deito e quando eu me levanto. E as respostas estão sempre a caminho. Milhares e dezenas de milhares de vezes as minhas orações foram respondidas. Uma vez que eu esteja convencido de que uma coisa é certa e para a glória de Deus, continuo a orar por isto até que a resposta chegue.  

Se tivéssemos que responder sobre este mesmo tema hoje, poderíamos dizer que a persistência em oração nos faz sensíveis ao seu mover. Que é através dela que discernimento sua vontade. Que ela é a responsável para nos aproximar de Deus Ela fortalece nosso relacionamento com ele, que constrói a confiança que ele deseja em nós.


[1] Lucas 17:20-21

[2] Lucas 17:22-37

[3] Yancey, Philip: Oração pg.42

[4] Lc.18:1

[5] Sittser, Jerry: Quando Deus não responde a sua oração, pg 126

[6] Lc.18:3

[7] Jerry Sittser pg.118

[8] Mc. 12:28-34

[9] Tg.1:27

[10] Lc. 18:7,8

[11] Is.65:24

[12] Jr. 33:3

[13] I Jo.5:14,15

[14] Jerry Sittser, quando Deus não responde a sua oração. Pg.118

[15] I Ts. 5:17

Mantendo a chama acesa

“por causa da cooperação que vocês têm dado ao evangelho desde o primeiro dia até agora. Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” – Filipenses 1:5-6

Rev. Dr. J.C. Pezini 

Exatamente no dia 4 de janeiro de 1987 estava sendo ordenado ao sagrado ministério. Trinta e dois anos se passaram, muito rápido. 

Lembro-me como se fosse hoje! Era meu segundo ano de ministério como pastor ordenado. Jovem e entusiasmado, desejoso de ver a igreja crescer e vidas sendo transformadas, fui eleito secretário de evangelização em meu Presbitério. Como parte desta função, trabalhei para realizar uma Conferência de Evangelização. E é claro, sendo o secretário, jovem, fui eu quem pregou na abertura da Conferência. Quem me conhece, sabe que sempre fui apaixonado, pregando com o coração e muita paixão. Ao término do culto fui abordado por um pastor, que já tinha alguns anos de ministério, que bateu em meu ombro e disse: “Aproveite, este fogo passa”. Confesso que fiquei assustado, mas não dei atenção no que ouvi. 

 No entanto, nesta caminhada em parceria com Jesus errei muito e pequei, porque muitas vezes agi por interesse próprio. Achava que era minha a responsabilidade de fazer a igreja crescer. Agi com arrogância, prepotência, resultado do ímpeto de um jovem pastor cheio de sonhos e pouca experiência.  Com isto sei que machuquei pessoas queridas a quem eu amava. Hoje, reconheço que muitos dos pecados por mim cometidos foram porque eu lutava com um trauma que me levava à busca por aprovação das pessoas. Mas, uma coisa é certa, aquele fogo que queimava naquela época continua a arder hoje, após trinta e dois anos de lutas e batalhas, cooperando com o Senhor na pregação do Evangelho e expansão do Seu Reino. 

Todavia, muito me alegro ao olhar para a história de minha vida e perceber que, o Senhor não me tratou segundo meus pecados. Antes, perdoou e me motivou a continuar. E ainda ouço a Sua voz dizendo: “Eu comecei uma boa obra através de você e irei concluí-la até o dia de Cristo Jesus”. Volto a dizer que hoje, aos 62 anos de idade, continuo com a mesma motivação. Eu acredito que isto somente foi e é possível pelo fato de exercitar uma prática espiritual: ter priorizado tempo com Deus diariamente. Entendo que estar com Deus e gastar tempo com Ele para conhecer Sua vontade é a nossa primeira tarefa como pastor. Todas as demais terão que acontecer como consequência desta. Não podemos negociar e nem inverter tais valores e prioridades. 

 Mesmo hoje, já com 32 anos no ministério pastoral de tempo integral, continuo aprendendo a liderar e a ser parceiro do Senhor. Preciso ouvir Sua voz todos os dias e desejo que Ele me direcione diariamente de acordo com Sua bendita vontade.  Agradeço a Deus por acreditar em quem ninguém acreditava e, confiar em alguém com tantas falhas e limitações. Ser pastor é, de fato, um grande privilégio! Temos lutas e provações, mas elas são necessárias para compreendermos que nossas vidas e ministérios dependem DEle e não de nossas competências. 

Não poderia deixar de mencionar, após estes 32 anos de ministério pastoral e desfrutando da mesma paixão e sonhos, que somente venci as lutas e provações por ter uma mulher ao meu lado que sempre viu meu ministério como o dela também. Que minhas responsabilidades foram as delas também. Quando sentia o peso da responsabilidade e muitas vezes me via frustrado, ela me acariciava e motivava a olhar para frente. Estamos casados há 43 anos e, nunca vi a Odete – minha esposa – triste ou a ouvi reclamar. Certamente ela ouviu muitas críticas, mas nunca as trouxe a mim. Sempre viu a igreja como o lugar onde Deus nos colocou para servir. Sem o apoio dela seria impossível manter a chama acesa. 

Hoje, renovo minha aliança com o Senhor: Amá-Lo acima de todas as coisas e, em segundo lugar, amar Sua igreja assim como Cristo a amou. Desejo continuar como instrumento nãos mãos dEle até o dia em que me chamar para a glória eterna. Enquanto isto não acontece, continuo sonhando e vivendo cada dia, vendo que o fogo que começou a queimar continuará acesso porque suas chamas continuam recebendo óleo diariamente. 

Somos seres humanos e não semideuses

Rev. Dr. J.C. Pezini 

“Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mateus 11:28-30 

“Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mateus 11:28-30 

Temos vivido dias nebulosos, onde semanalmente ouvimos sobre líderes religiosos tirando a sua própria vida. Somente em dezembro (2018) ouvimos de dois pastores que cometeram suicídio. Muitos questionamentos têm surgidos em busca de respostas. A pergunta que todos fazem é: por que pastores, que um dia se dispuseram a cuidar do rebanho de Deus, perdem o sentido da beleza da vida e desiste de viver tirando a sua própria vida? Creio que para esta pergunta não há resposta. Nunca vamos chegar a uma resposta que de fato explique uma atitude tão drástica como esta. 

No entanto, gostaria de levantar algumas hipóteses que nos levem a refletir sobre o ministério pastoral e suas demandas. Creio que desde a profissionalização do clero no século quarto, onde foram criadas duas classes de cristãos, clero e laicato, foi colocado sobre os ombros do clero toda a responsabilidade que antes era distribuída a todos os cristãos indistintamente. Ou seja, desde então, o pastor ficou com a responsabilidade de fazer tudo o que condiz com a igreja. Ele passou a ser responsável por fazer a igreja crescer, administrar a instituição, alimentar o rebanho semanalmente com a palavra de Deus, cuidar do rebanho em suas lutas diárias. E, por fim, é criticado porque não consegue fazer tudo da melhor maneira possível. Ele não possui todos os dons necessários para realizar tudo com tamanha perfeição como lhe é exigido. Neste caso, chegou o momento de repensarmos a eclesiologia da igreja. Precisamos com a graça de Deus trazer a igreja de volta aos princípios bíblicos eclesiológicos. 

Além do mais, percebo que nos dias em que estamos vivendo há uma crise delicadíssima sem tamanho sobre a vida ministerial. Está havendo uma disputa muito grande no meio evangélico. Por causa disto, líderes evangélicos têm transformado a igreja de Jesus em um mercado, fazem do púlpito um balcão de negócio, usam o evangelho como produto de venda, transformam membros em clientes e, por isso, precisam trabalhar arduamente para satisfazer os desejos consumistas de seus clientes. Sem imaginar, criaram um monstro e agora dominicalmente precisam alimentá-lo. 

O problema é que este monstro é insaciável. Cada dia ele precisa de algo a mais. Não é difícil de perceber isso. Ao olhar ao nosso redor, temos percebido que muitos pastores não precisam mais de Deus para fazer suas igrejas crescerem. Eles têm buscado no mundo corporativo seus métodos e formas e transformaram a igreja em uma bela vitrine, que atrai um povo consumista. Eles conseguem convencer os demais que estão no caminho certo porque estão crescendo em números e a arrecadação aumenta dominicalmente. Esses líderes andam com roupas de grife e desfilam carros caros. Dão a impressão de que estão sob a bênção do todo poderoso. O problema desta mentalidade é que, eles têm números, frequentadores, mas não discípulos de Cristos cujas vidas são moldadas pelo Espírito Santo de Deus e são mais parecidos com Jesus. 

Talvez chegou o momento de questionar o conceito “Chamado para o ministério”. Eu penso que este conceito responde bem dentro da mentalidade descrita acima sobre clericalismo. Sou um cristão de segunda categoria, sou parte do laicato, mas senti o desejo de me preparar para chegar a ser clero, para ser visto e tratado como cristão de primeira categoria. Então eu justifico que me sinto chamado. 

Se me sinto chamado, a pergunta a ser respondida é: Chamado para fazer o quê? A resposta é óbvia: para trabalhar para Deus. Entretanto, será que Deus precisa de nosso trabalho? Será que Ele não é autossuficiente para fazer tudo sozinho sem nossa participação? Eu creio que se não atrapalhássemos Deus, já faríamos um grande trabalho. 

Será que o ministério é algo que sou chamado a fazer? Eu tenho 33 anos como pastor ordenado. Nunca perdi a alegria do ministério. Nunca me senti desanimado e continuo com a mesma paixão que tinha quando fui ordenado. Admito que o ministério não é fácil, há tristezas, lutas, dissabores. Mas a alegria de ver gente sendo transformada, conhecendo Cristo e crescendo Nele, me tornando parecido com Ele e o servindo como verdadeiro discípulo tem me proporcionado grande alegria. No entanto, entendo que o ministério não é algo que eu faço para Deus. Não é um trabalho que presto a Ele. Mas sim o ministério é uma consequência natural da vida que tenho nele. Ele é uma extensão da vida. Neste caso, sou meramente um parceiro Dele na obra que está realizando de restauração deste mundo. Para isso, minha primeira obrigação é estar Nele, gastando tempo com ele para que eu possa descobrir o que ele está fazendo para acompanhá-lo na jornada. Neste caso, o tempo que passo com Ele deve ser proporcional ao que passo fazendo com ele. Creio que se assim procedermos, o ministério será uma fonte de alegria, prazer e autorrealização. 

Carta aos amigos do Sara

Rev. Dr. José Carlos Pezini 

Olá amigos, Paz! 

“Escutem: os olhos do Eterno estão sobre aqueles que respeitam, aqueles que procuram seu amor. Ele está disposto a resgatá-los nos tempos maus, e prestar todo o auxilio necessário nos tempos difíceis”. (Salmo 33: 18,19 – A Mensagem) 

Creio que a maioria de vocês ficou sabendo de mais um suicídio no meio eclesiástico. Desta vez um pastor da Igreja Batista de Goiânia. 

Mesmo acompanhando durante estes anos esta síndrome, que é chamada de Burnout, me chocou novamente e me fez tomar esta decisão em escrever a todos vocês que têm nos acompanhado através das atividades do Instituto SARA. Faço isto com amor e com temor, mas desejo desafiá-los a colocar em prática o que temos ensinado em todos nos eventos da SARA. O que tenho percebido, que alguns pastores que participam dos retiros do SARA, gostam e até divulgam com paixão, mas estão flertando com dois senhores. Gostam, divulgam, falam bem, mas não conseguem deixar de idolatrar o ministério. Amam mais o ministério e Igreja do que a Jesus, por isso não conseguem renunciar as tentações e as demandas ministeriais diárias. Invertem os valores, negociam o tempo com Deus e ignoram o descanso semanal instituído pelo Senhor desde a criação. Por este motivo andam estressados, exaustos e muitos desejando abandonar o barco. 

Gostaria de levá-los a repensar sobre nosso lema: “Uma longa caminhada na mesma direção”. Lembrando de colocar Deus em primeiro lugar em suas vidas. Isto é, não negligenciar o tempo diário com Deus de pelo menos uma hora por dia. Ir a Deus por causa de Deus e não por aquilo que ele pode fazer por você. Tempo diário de exercício físico. Pastores enfermos pregam sermões doentes e sermões doentes matam. Exercitar o corpo e cuidar da saúde é uma disciplina espiritual. Paulo, ao escrever a Timóteo, orientou dizendo: “Cuide de te mesmo… “ (I Tm. 4.16). Tempo de leitura diária, somos profissionais do conhecimento e somos chamados a ensinar. Por isso precisamos ser alimentados para poder alimentar o rebanho. Só podemos dar aquilo que temos em estoque. Além do mais, segundo vejo nas Escrituras, são quatro as atividades pastorais instituídas por Deus: Orar pelo rebanho, Ensinar o rebanho o que e como, equipar os Santos para a obra do ministério e delegar autoridade para que vão e façam discípulos. 

Gostaria ainda de lembrá-los aos que estão sob a orientação do SARA que seu compromisso é participar de dois retiros por ano e ter uma conversa por mês com seu mentor. Alguns pastores têm arrumados desculpas e deixado de participar por coisas simples. Lembro também que é você quem deve procurar seu mentor e não o mentor te procurar.  Lembra! Aquilo que valorizo eu priorizo. 

Que o Senhor Jesus te leve a pensar em um relacionamento mais íntimo com Ele. Somente Ele pode trazer paz a sua vida e vida ao seu ministério. Sem ele a vida ministerial fica pesada, impossível de ser realizada.