Mantendo a chama acesa

“por causa da cooperação que vocês têm dado ao evangelho desde o primeiro dia até agora. Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” – Filipenses 1:5-6

Rev. Dr. J.C. Pezini 

Exatamente no dia 4 de janeiro de 1987 estava sendo ordenado ao sagrado ministério. Trinta e dois anos se passaram, muito rápido. 

Lembro-me como se fosse hoje! Era meu segundo ano de ministério como pastor ordenado. Jovem e entusiasmado, desejoso de ver a igreja crescer e vidas sendo transformadas, fui eleito secretário de evangelização em meu Presbitério. Como parte desta função, trabalhei para realizar uma Conferência de Evangelização. E é claro, sendo o secretário, jovem, fui eu quem pregou na abertura da Conferência. Quem me conhece, sabe que sempre fui apaixonado, pregando com o coração e muita paixão. Ao término do culto fui abordado por um pastor, que já tinha alguns anos de ministério, que bateu em meu ombro e disse: “Aproveite, este fogo passa”. Confesso que fiquei assustado, mas não dei atenção no que ouvi. 

 No entanto, nesta caminhada em parceria com Jesus errei muito e pequei, porque muitas vezes agi por interesse próprio. Achava que era minha a responsabilidade de fazer a igreja crescer. Agi com arrogância, prepotência, resultado do ímpeto de um jovem pastor cheio de sonhos e pouca experiência.  Com isto sei que machuquei pessoas queridas a quem eu amava. Hoje, reconheço que muitos dos pecados por mim cometidos foram porque eu lutava com um trauma que me levava à busca por aprovação das pessoas. Mas, uma coisa é certa, aquele fogo que queimava naquela época continua a arder hoje, após trinta e dois anos de lutas e batalhas, cooperando com o Senhor na pregação do Evangelho e expansão do Seu Reino. 

Todavia, muito me alegro ao olhar para a história de minha vida e perceber que, o Senhor não me tratou segundo meus pecados. Antes, perdoou e me motivou a continuar. E ainda ouço a Sua voz dizendo: “Eu comecei uma boa obra através de você e irei concluí-la até o dia de Cristo Jesus”. Volto a dizer que hoje, aos 62 anos de idade, continuo com a mesma motivação. Eu acredito que isto somente foi e é possível pelo fato de exercitar uma prática espiritual: ter priorizado tempo com Deus diariamente. Entendo que estar com Deus e gastar tempo com Ele para conhecer Sua vontade é a nossa primeira tarefa como pastor. Todas as demais terão que acontecer como consequência desta. Não podemos negociar e nem inverter tais valores e prioridades. 

 Mesmo hoje, já com 32 anos no ministério pastoral de tempo integral, continuo aprendendo a liderar e a ser parceiro do Senhor. Preciso ouvir Sua voz todos os dias e desejo que Ele me direcione diariamente de acordo com Sua bendita vontade.  Agradeço a Deus por acreditar em quem ninguém acreditava e, confiar em alguém com tantas falhas e limitações. Ser pastor é, de fato, um grande privilégio! Temos lutas e provações, mas elas são necessárias para compreendermos que nossas vidas e ministérios dependem DEle e não de nossas competências. 

Não poderia deixar de mencionar, após estes 32 anos de ministério pastoral e desfrutando da mesma paixão e sonhos, que somente venci as lutas e provações por ter uma mulher ao meu lado que sempre viu meu ministério como o dela também. Que minhas responsabilidades foram as delas também. Quando sentia o peso da responsabilidade e muitas vezes me via frustrado, ela me acariciava e motivava a olhar para frente. Estamos casados há 43 anos e, nunca vi a Odete – minha esposa – triste ou a ouvi reclamar. Certamente ela ouviu muitas críticas, mas nunca as trouxe a mim. Sempre viu a igreja como o lugar onde Deus nos colocou para servir. Sem o apoio dela seria impossível manter a chama acesa. 

Hoje, renovo minha aliança com o Senhor: Amá-Lo acima de todas as coisas e, em segundo lugar, amar Sua igreja assim como Cristo a amou. Desejo continuar como instrumento nãos mãos dEle até o dia em que me chamar para a glória eterna. Enquanto isto não acontece, continuo sonhando e vivendo cada dia, vendo que o fogo que começou a queimar continuará acesso porque suas chamas continuam recebendo óleo diariamente. 

Somos seres humanos e não semideuses

Rev. Dr. J.C. Pezini 

“Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mateus 11:28-30 

“Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mateus 11:28-30 

Temos vivido dias nebulosos, onde semanalmente ouvimos sobre líderes religiosos tirando a sua própria vida. Somente em dezembro (2018) ouvimos de dois pastores que cometeram suicídio. Muitos questionamentos têm surgidos em busca de respostas. A pergunta que todos fazem é: por que pastores, que um dia se dispuseram a cuidar do rebanho de Deus, perdem o sentido da beleza da vida e desiste de viver tirando a sua própria vida? Creio que para esta pergunta não há resposta. Nunca vamos chegar a uma resposta que de fato explique uma atitude tão drástica como esta. 

No entanto, gostaria de levantar algumas hipóteses que nos levem a refletir sobre o ministério pastoral e suas demandas. Creio que desde a profissionalização do clero no século quarto, onde foram criadas duas classes de cristãos, clero e laicato, foi colocado sobre os ombros do clero toda a responsabilidade que antes era distribuída a todos os cristãos indistintamente. Ou seja, desde então, o pastor ficou com a responsabilidade de fazer tudo o que condiz com a igreja. Ele passou a ser responsável por fazer a igreja crescer, administrar a instituição, alimentar o rebanho semanalmente com a palavra de Deus, cuidar do rebanho em suas lutas diárias. E, por fim, é criticado porque não consegue fazer tudo da melhor maneira possível. Ele não possui todos os dons necessários para realizar tudo com tamanha perfeição como lhe é exigido. Neste caso, chegou o momento de repensarmos a eclesiologia da igreja. Precisamos com a graça de Deus trazer a igreja de volta aos princípios bíblicos eclesiológicos. 

Além do mais, percebo que nos dias em que estamos vivendo há uma crise delicadíssima sem tamanho sobre a vida ministerial. Está havendo uma disputa muito grande no meio evangélico. Por causa disto, líderes evangélicos têm transformado a igreja de Jesus em um mercado, fazem do púlpito um balcão de negócio, usam o evangelho como produto de venda, transformam membros em clientes e, por isso, precisam trabalhar arduamente para satisfazer os desejos consumistas de seus clientes. Sem imaginar, criaram um monstro e agora dominicalmente precisam alimentá-lo. 

O problema é que este monstro é insaciável. Cada dia ele precisa de algo a mais. Não é difícil de perceber isso. Ao olhar ao nosso redor, temos percebido que muitos pastores não precisam mais de Deus para fazer suas igrejas crescerem. Eles têm buscado no mundo corporativo seus métodos e formas e transformaram a igreja em uma bela vitrine, que atrai um povo consumista. Eles conseguem convencer os demais que estão no caminho certo porque estão crescendo em números e a arrecadação aumenta dominicalmente. Esses líderes andam com roupas de grife e desfilam carros caros. Dão a impressão de que estão sob a bênção do todo poderoso. O problema desta mentalidade é que, eles têm números, frequentadores, mas não discípulos de Cristos cujas vidas são moldadas pelo Espírito Santo de Deus e são mais parecidos com Jesus. 

Talvez chegou o momento de questionar o conceito “Chamado para o ministério”. Eu penso que este conceito responde bem dentro da mentalidade descrita acima sobre clericalismo. Sou um cristão de segunda categoria, sou parte do laicato, mas senti o desejo de me preparar para chegar a ser clero, para ser visto e tratado como cristão de primeira categoria. Então eu justifico que me sinto chamado. 

Se me sinto chamado, a pergunta a ser respondida é: Chamado para fazer o quê? A resposta é óbvia: para trabalhar para Deus. Entretanto, será que Deus precisa de nosso trabalho? Será que Ele não é autossuficiente para fazer tudo sozinho sem nossa participação? Eu creio que se não atrapalhássemos Deus, já faríamos um grande trabalho. 

Será que o ministério é algo que sou chamado a fazer? Eu tenho 33 anos como pastor ordenado. Nunca perdi a alegria do ministério. Nunca me senti desanimado e continuo com a mesma paixão que tinha quando fui ordenado. Admito que o ministério não é fácil, há tristezas, lutas, dissabores. Mas a alegria de ver gente sendo transformada, conhecendo Cristo e crescendo Nele, me tornando parecido com Ele e o servindo como verdadeiro discípulo tem me proporcionado grande alegria. No entanto, entendo que o ministério não é algo que eu faço para Deus. Não é um trabalho que presto a Ele. Mas sim o ministério é uma consequência natural da vida que tenho nele. Ele é uma extensão da vida. Neste caso, sou meramente um parceiro Dele na obra que está realizando de restauração deste mundo. Para isso, minha primeira obrigação é estar Nele, gastando tempo com ele para que eu possa descobrir o que ele está fazendo para acompanhá-lo na jornada. Neste caso, o tempo que passo com Ele deve ser proporcional ao que passo fazendo com ele. Creio que se assim procedermos, o ministério será uma fonte de alegria, prazer e autorrealização. 

Carta aos amigos do Sara

Rev. Dr. José Carlos Pezini 

Olá amigos, Paz! 

“Escutem: os olhos do Eterno estão sobre aqueles que respeitam, aqueles que procuram seu amor. Ele está disposto a resgatá-los nos tempos maus, e prestar todo o auxilio necessário nos tempos difíceis”. (Salmo 33: 18,19 – A Mensagem) 

Creio que a maioria de vocês ficou sabendo de mais um suicídio no meio eclesiástico. Desta vez um pastor da Igreja Batista de Goiânia. 

Mesmo acompanhando durante estes anos esta síndrome, que é chamada de Burnout, me chocou novamente e me fez tomar esta decisão em escrever a todos vocês que têm nos acompanhado através das atividades do Instituto SARA. Faço isto com amor e com temor, mas desejo desafiá-los a colocar em prática o que temos ensinado em todos nos eventos da SARA. O que tenho percebido, que alguns pastores que participam dos retiros do SARA, gostam e até divulgam com paixão, mas estão flertando com dois senhores. Gostam, divulgam, falam bem, mas não conseguem deixar de idolatrar o ministério. Amam mais o ministério e Igreja do que a Jesus, por isso não conseguem renunciar as tentações e as demandas ministeriais diárias. Invertem os valores, negociam o tempo com Deus e ignoram o descanso semanal instituído pelo Senhor desde a criação. Por este motivo andam estressados, exaustos e muitos desejando abandonar o barco. 

Gostaria de levá-los a repensar sobre nosso lema: “Uma longa caminhada na mesma direção”. Lembrando de colocar Deus em primeiro lugar em suas vidas. Isto é, não negligenciar o tempo diário com Deus de pelo menos uma hora por dia. Ir a Deus por causa de Deus e não por aquilo que ele pode fazer por você. Tempo diário de exercício físico. Pastores enfermos pregam sermões doentes e sermões doentes matam. Exercitar o corpo e cuidar da saúde é uma disciplina espiritual. Paulo, ao escrever a Timóteo, orientou dizendo: “Cuide de te mesmo… “ (I Tm. 4.16). Tempo de leitura diária, somos profissionais do conhecimento e somos chamados a ensinar. Por isso precisamos ser alimentados para poder alimentar o rebanho. Só podemos dar aquilo que temos em estoque. Além do mais, segundo vejo nas Escrituras, são quatro as atividades pastorais instituídas por Deus: Orar pelo rebanho, Ensinar o rebanho o que e como, equipar os Santos para a obra do ministério e delegar autoridade para que vão e façam discípulos. 

Gostaria ainda de lembrá-los aos que estão sob a orientação do SARA que seu compromisso é participar de dois retiros por ano e ter uma conversa por mês com seu mentor. Alguns pastores têm arrumados desculpas e deixado de participar por coisas simples. Lembro também que é você quem deve procurar seu mentor e não o mentor te procurar.  Lembra! Aquilo que valorizo eu priorizo. 

Que o Senhor Jesus te leve a pensar em um relacionamento mais íntimo com Ele. Somente Ele pode trazer paz a sua vida e vida ao seu ministério. Sem ele a vida ministerial fica pesada, impossível de ser realizada. 

Chuvas de Primavera

Roberto Mouzinho Ferreira 

23 de setembro. Hoje faz 4 anos. Viajamos de São Paulo para Macaé, com o amigo Vagner Pontes, pastor da 2ª Igreja Batista daquela cidade. Tínhamos o compromisso de comandar a área musical de um retiro de casais daquela igreja no fim de semana seguinte, na cidade de Cabo Frio. Eu estava sem condições de dirigir e ele havia ido nos encontrar, um dia antes, na casa dos nossos filhos, na capital Paulista, de onde saímos (com ele assumindo o volante) pouco antes do nascer do sol daquela terça-feira bendita. Na última sexta-feira, o pastor da nossa igreja, Rosalvo Maciel, havia nos levado, também em nosso carro, de Goiânia para São Paulo. Dois servos de Deus que reorganizaram suas agendas para nos socorrer. 

Eu quisera desmarcar o compromisso com os casais da SIB de Macaé por causa da profunda depressão que me acometera desde meados do primeiro semestre, mas o pastor Vagner havia encorajado Vanja a mantermos o compromisso, insistindo na crença de que estar com os irmãos poderia ser abençoador para mim. 

Algumas semanas antes, havíamos ouvido uma pregação sobre as “chuvas de primavera” (Zacarias 10.1) e desde então pedíamos ao Senhor que derramasse essas águas sobre a aridez que minha alma enfrentava. O inverno goiano representa bem tal estado de alma: nada de chuva durante meses e um calor seco e fatigante, dia e noite. As primeiras chuvas depois que a primavera chega são motivo de celebração. 

Durante meses eu orava, todas as noites, pedindo a Deus que no dia seguinte eu amanhecesse curado. Às vezes, ao acordar, pela manhã, eu ficava procurando “sinais” de melhora, para logo me frustrar, não encontrando qualquer indício. 

Sempre me refiro à manhã daquele 2º dia da primavera de 2014 como uma espécie de dobradiça, ou o vértice de uma parábola. Eu não sabia, mas havia tocado no fundo do poço e iria começar, ainda que lentamente, no tempo de Deus, minha subida à superfície. 

Ao pararmos para tomar café, em algum ponto da Via Dutra, eu olhava em volta e sentia algo diferente, embora não soubesse o quê. Ao levar o café à boca e apreciar o sabor foi que me dei conta de que havia meses que a falta de prazer em me alimentar tornara o paladar algo imperceptível. Pedi mais café e pão de queijo e comi como se estivesse há dias com fome. 

Na hora do almoço, num restaurante já mais próximo de nosso destino, assustei Vanja com o tamanho do prato que preparei para mim, pois fazia meses que ela me via comendo pouquíssimo e com dificuldade. 

Não consigo deixar de me emocionar quando me lembro disso. Não é para menos, porque não é pouca coisa. Eu estava olhando para os itens disponíveis no self-service e desejando comer, antecipando as texturas e sabores dos alimentos ali presentes. Eu nem fazia ideia de por quanto tempo não sentia aquilo! 

Preciso terminar este texto, então vou deixar para outra ocasião contar mais sobre aquele período. Porque hoje, 23 de setembro, é dia de celebração! As chuvas de primavera começaram a descer naquela manhã sobre meu coração ressecado por meses de tristeza profunda e mortal, durante os quais Deus me sustentou com o maná da sua Palavra. 

Durante os dias que se seguiram, ainda tive altos e baixos. Mas os altos foram mais constantes e mais altos, e os baixos foram sendo vencidos pelo poder da Palavra de Deus, ministrada por minha amada, carinhosa e perseverante esposa, por amigos igualmente dedicados e — acredite — por mim mesmo, que, muitas vezes, durante a depressão, precisei pregar o Evangelho de Jesus Cristo para a minha própria alma! 

Lembro-me também da primeira chuva da primavera de 2014. Foi o prenúncio de que o deserto estava acabando. E eu o havia atravessado, sofrendo e chorando, mas, pela graça do meu Salvador, saí livre e cantando, do outro lado! Aleluia! Bem vinda, primavera! 

Não sei em que situação esse relato está chegando até você. Se você não está atravessando a estação seca da alma, celebre a alegria na presença do Senhor. Se estiver aguardando ansiosamente a chuva de primavera, minha oração é para que ela não demore a cair e refrescar seu coração. Enquanto isso, continue aos pés dele, clamando e esperando confiantemente no Senhor. Ele se inclina e ouve! 

“E me pôs nos lábios um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus” (Salmo 40.3a). 

Deus é bom

Rev. Dr. J. C. Pezini 

Por que este homem está sorrindo? 

Qualquer pessoa familiarizada com a fotografia do século XIX sabe que praticamente todo ser humano parece estar sério, de boca fechada e severamente séria – como se tivesse acabado de receber notícias de uma auditoria da Secretaria da Fazenda. 

Os historiadores apontam que a higiene dentária era notoriamente pobre durante os anos 1800, e que as primeiras fotos exigiam longas exposições; não eram como hoje que pode capitar uma imagem em milésimo de segundo, daí a dificuldade de capturar algo como a espontaneidade em um rosto humano sorrindo. 

Mas a verdadeira razão para esses retratos sombrios tem muito mais a ver com o que as pessoas pensam sobre sorrisos. Hoje nós associamos sorriso com felicidade, calor humano, descontração e bom humor. 

Mas em séculos passados, os europeus concluíram que as únicas pessoas que sorriam abertamente eram pobres, embriagadas, moralmente falidas ou artistas profissionais que eram pagos para sorrir mesmo quando não havia motivo para tal. Então, as pessoas de bem a ser fotografadas não queriam cair em nenhuma dessas categorias. 

Abraham Lincoln e Mark Twain foram duas pessoas das mais sofridas do século 19. No entanto, em todas as suas fotos que se conhecem, são retratos de grande solenidade. Twain, quando perguntado a razão de tal solenidade explicou: “Uma fotografia é um documento importantíssimo, e não há nada mais condenável a ir para a posteridade do que um sorriso bobo e tolo, capturado e consertado para sempre”. 

O homem na foto acima é Charles H. Spurgeon, o chamado Príncipe dos Pregadores de Londres. No entanto, aparentemente, não se importou de ser fotografado sorrindo e que seu “sorriso fosse considerado bobo e tolo” mesmo que capturado para sempre. A vida de Spurgeon não foi isenta de dor e sofrimento. Aos 22 anos quase abandonou o ministério. Ele sofria, também, da doença de Gota e depressão constante. 

Multidões sem precedentes vinham ouvi-lo pregar com ousadia e intrepidez. Por este motivo sofreu com a inveja de rivais religiosos e o escrutínio da imprensa sensacionalista de todos os lados. 

Em 19 de outubro de 1856, mais de 12.000 pessoas se espremeram no Surrey Garden Music Hall para ouvi-lo. Ele teve que alugar esse espaço porque nenhum santuário existente naquela época poderia conter tamanha multidão. Outros 10.000 fiéis ficavam do lado de fora do prédio, esperando pegar algumas gotas de seu sermão. Um dia, de repente, alguém gritou desesperado “Fogo!”. Fumaça e chamas apareceram por todos os lados do auditório. Uma sacada desmoronou. Houve desespero e as pessoas atropelaram umas as outras enquanto corriam em direção às saídas, tentando salvar as próprias vidas. Sete adoradores morreram e 28 outros ficaram gravemente feridos naquele dia. 

A imprensa local espalhou notícias afirmando que Spurgeon era de alguma forma, culpado pelo ocorrido. Este acontecimento o fez mergulhar em uma profunda depressão. Ele achava que por causa disto seu ministério seria ‘silenciado para sempre’. 

Mas, este grande pregador gradualmente recobrou sua força e encontrou o caminho de volta ao púlpito. Uma sensação de alegria voltou à sua vida. Como disse um biógrafo, sua alegria baseava-se não apenas em sua capacidade de recuperação, mas também na capacidade de Deus de reabastecê-lo. 

Como Spurgeon recuperou sua confiança depois deste desastre público? 

Ele tinha que estar convencido de duas coisas, creio eu, que são verdadeiras em se tratando de Deus. 

Primeiro: Deus está no controle de tudo! Esse é um princípio central da fé cristã. Mas, quando você reflete sobre isso em meio às lutas da vida e faz um exame longo e honesto das condições do mundo atual, onde parece não haver conserto e nem solução para os dramas da humanidade, fica difícil encontrar conforto. 

Se você tem acompanhado o noticiário, neste momento, um gigantesco furacão está subindo em direção à costa da Carolina do Norte nos USA. Forças rebeldes na Síria têm combatido tropas apoiadas pelo governo nos últimos cinco anos e quase destruíram o país. Milhões de seres humanos vulneráveis estão sendo traficados enquanto você lê que Deus é bom e está no controle de tudo. Apenas nas últimas 24 horas, cerca de 30.000 crianças morreram de desnutrição e doenças evitáveis. No momento em que vivemos em nosso país, olhando para o cenário político, não vemos esperança. Ao sairmos pelas ruas vemos muitos seres humanos dormindo nas calçadas e com o estâmago roncando de fome. Sem falar no grande número de pastores em depressão, sem esperança e não poucos os que buscam por uma igreja para pastorear. 

Deus está realmente no controle? Quem pode culpar um inquiridor honesto por dizer: “E daí?”. Deus parece ser culpado de negligência divina. Mas, Spurgeon apostou sua vida na verdade da bondade divina e no controle que ele tem como Deus. 

Segundo: Deus não somente está no controle do cosmos e é também bom, mas ele é capaz de transformar desastres em eventos esperançosos e até horrendos males morais em acontecimentos redentores. Deus está conduzindo os eventos mundiais – assim como os eventos em sua própria vida – de tal forma que todos nós, no final, ficaremos impressionados com sua sabedoria! Disto eu não tenho dúvida! 

No caso de Spurgeon, o promissor ministério que ele desfrutou às margens do rio Tâmisa, em Londres, foi transformado em um ministério internacional que ainda traz pessoas à fé 125 anos após sua morte. Em nenhum lugar prometemos livramento sobrenatural da experiência da dor e do sofrimento. Mas Deus é bom, e ele é capaz de fazer uso sobrenatural das nossas piores dores para trazer as maiores alegrias em nossas vidas e transformar nossa fraqueza em um ministério frutífero. Por este motivo ele coloca um sorriso em nosso rosto não importando a circunstância que nos cerca. 

Quero, amigo, mesmo que neste momento enquanto lê este artigo e está enfrentando grandes lutas, te encorajar a continuar crendo na bondade de Deus. 

A arte de entregar a Deus o que somente ele pode fazer

J. C. Pezini 

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. 1 Pe.5:6,7 

Nestes últimos anos tenho trabalhado com pastores que reclamam o tempo todo que estão cansados, estressados, desanimados. Eles confessam que estão frustrados, e que não aguentam mais a sobrecarga diária. Por este motivo, tenho me perguntado diariamente: “Será que não estamos tentando resolver tudo sozinhos”? Me parece que perdemos a confiança em deixar nas mãos de Deus o que somente ele pode fazer. 

Nós nunca experimentaremos paz neste mundo a menos que dominemos uma habilidade crucial. Precisamos aprender a arte de deixar ir, de liberar. 

Os jogadores de boliche, por definição, têm que largar as bolas, se não largar ela não atinge o alvo. 

Mas alguns de nós parecem que fazemos isso com grande relutância. Conseguimos deixar ir quando já não conseguimos mais segurar. Quando percebemos que não conseguimos mais ter controle da situação. 

Depois que a bola está fora de nossas mãos e descendo a pista, achamos que pode ser útil gritar e ainda dar instruções adicionais. Parece até ridículo, mesmo vendo a bola rolando ficamos gritando e torcendo o corpo para ajuda-la a atingir o alvo. “Esquerda, esquerda, esquerda! Não, não na sarjeta! “Acenamos nossas mãos. Nós equilibramos precariamente em uma perna, como se os nossos movimentos transmitissem magicamente correções de curso para um objeto sólido cujo destino já estivesse estabelecido. Todos nós, jovens ou com maior idade também não estamos imunes a esse comportamento. “Vamos lá, caia aí, não, não neste lugar!” 

E porque não falarmos dos pais. É difícil assistir seu filho adolescente começar sua primeira viagem sozinho no carro da família, ou acenar para o seu filho mais velho em seu primeiro dia na faculdade, sem pensar: “Mas eu ainda estou no controle do que acontece a seguir, certo?” Não, não estamos, é pura bobagem. Na maioria dos empreendimentos da vida, chega a hora de deixar ir. Como pastores aprendemos isto com muita luta. Crer que Deus está no controle da vida é fácil, mas deixá-lo no controle é um aprendizado. 

Temos amplas oportunidades de influenciar o que acontece em seguida, seja dirigindo uma um carro, lançando um novo projeto ou treinando lideres. Nós nos preparamos diligentemente. Nós avançamos corajosamente. E fazemos tudo em oração. Mas o momento sempre chega quando não há mais nada a fazer. Tendo feito o nosso melhor, deixamos os resultados para Deus. Claro, parece que há algo mais que podemos fazer. Nós podemos nos preocupar. Normalmente é isto que acontece. Isto é o equivalente a tentar refinar o curso de uma bola de boliche que já está se dirigindo para os pinos. 

No entanto, todos nós sabemos em teoria que a preocupação não muda nada. Nasce da ilusão de que ainda estamos, de alguma forma, no controle e que nossa preocupação fará a diferença. Com isto vem o estresse, o desânimo, e por fim a depressão. 

Vale a pena notar que não há nenhum versículo na Bíblia que diz: “E Deus começou a se preocupar”. Deus não tem nada para se preocupar. Sabe o por que que ele não se preocupa? É porque Deus está realmente no controle do universo. Sabemos que em sua palavra ele diz que nem mesmo uma folha cai de uma árvore sem seu conhecimento. 

É por isso que podemos renunciar ao controle de um projeto especial ou de uma pessoa de valor inestimável. Podemos renunciar a ansiedade pelo crescimento da igreja. Jesus foi claro, ele mesmo disse que ele edificaria sua igreja. Estamos meramente entregando o que nunca tivemos realmente em primeiro lugar. 

Dallas Willard escreve: “No começo de cada manhã, dedico meu dia aos cuidados do Senhor… agindo assim coloco Deus no comando. Não preciso mais administrar o acontecimento das coisas, nem mesmo as outras pessoas”. 

Esse é o antídoto para parar de se preocupar. Tirando a nossa mente da miríade do que pode acontecer hoje, estamos livres para dar toda a nossa atenção àquele que realmente está no controle. Sabe qual é a diferença entre você e Deus? Deus não acha que ele é você. Ele estará realmente no comando do cosmos durante as próximas 24 horas. 

O que significa, pela graça de Deus, podemos aprender a deixá-lo no comando de nossa vida e ministério. Estejamos livres das preocupações, elas não mudam nada, somente atrapalham. Deus além de nos ajudar, ainda está movendo as coisas segundo a sua vontade. 

Deus está sempre presente, será que conseguimos percebê-lo?

Rev. Dr. J.C Pezini 

“Estou decidido na tua procura: não permitas que eu passe sem ver as placas que puseste no caminho”. Sl.119:9,10 

Não há dúvidas quo livro mais lido dos últimos quatro séculos é a Bíblia. Surpreendentemente, o que muitas pessoas acreditam ser o segundo livro mais lido foi escrito por um cozinheiro, lavador de pratos. Seu nome era Nicholas Herman. Ele era um veterano francês da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Herman retornou a Paris cuidando de ferimentos físicos e anseios espirituais profundos. 

Ele encontrou o caminho para um mosteiro carmelita, onde esperava poder seguir uma vocação religiosa. Por não ter educação suficiente para se tornar padre, contentou-se em assumir o papel de irmão leigo. Isso significava que ele provavelmente passaria o resto de sua vida desempenhando tarefas domésticas, fora da vista dos demais. Seu coração estava inquieto. Ele estava fazendo as coisas certas? Ele estava indo na direção certa? Ele teve a aprovação de Deus? 

Tudo isso começou a mudar um dia enquanto ele ponderava sobre a vida de uma árvore em particular. Nicholas notou, como se pela primeira vez, que a árvore não era saudável “por conta própria”. Sua força e nutrição vinham do solo profundo em que estava enraizada. Ele decidiu analisar suas circunstâncias de uma nova maneira. Sua vida se tornaria um experimento – uma oportunidade contínua de extrair nutrição espiritual da presença de Deus, que sempre esteve ao seu redor e sempre disponível, não importando o que ele estivesse fazendo. 

Sua vida se tornaria “uma conversa habitual, silenciosa e secreta da alma com Deus”. Isso mudou tudo. Nicolau levou o nome religioso “Lawrence da ressurreição”. Outros o chamavam simplesmente irmão Lawrence. Ele nunca se tornou bispo, cardeal ou papa. Ele nunca conseguiu o escritório da esquina com as duas janelas voltadas para diferentes direções e o título elevado na porta. Na verdade, ele raramente saía da cozinha. Ele se chamava de Lorde de Todos os Vasos e Panelas. 

Ele disse: “O tempo que gasto com o trabalho não difere do tempo de oração; é no ruído e barulho de minha cozinha, onde várias pessoas, ao mesmo tempo estão me chamando por coisas diferentes, que eu curto a presença de Deus com grande tranquilidade quanto se eu estivesse de joelhos diante do Santíssimo Sacramento”. A cozinha, em outras palavras, tornou-se seu santuário. 

Outros ficaram admirados com a maneira como ele vivia. Depois de sua morte em relativa obscuridade em 1691, seus irmãos monásticos coletaram suas correspondências particulares, bem como o que eles lembravam de suas conversas, e publicaram-nas como um livrinho chamado A Praticar da Presença de Deus. Tornou-se um best-seller e permaneceu assim desde então. 

O que Nicholas Herman, o irmão Lawrence, descobriu? Ele havia experimentado pessoalmente a espiritualidade das tarefas cotidianas. Se ele conseguiu, nós também podemos. Cada local pode se tornar um “santuário portátil”. Sempre que ligamos o computador, e compramos o jantar em um supermercado lotado, ou mergulhamos nossas mãos em uma pia cheia de pratos com sabão, podemos saber que estamos em pé no chão sagrado. Porque Deus está ali. E Deus é sempre acessível. 

“Não devemos nos cansar de fazer todas as coisas pequenas ou grandes por amor de Deus, que não considera a grandeza do trabalho, mas o amor com o qual é realizado”, disse o irmão Lawrence. O seu dia está cheio de uma coisinha atrás da outra? Experimente esta experiência: Faça-os todos por amor de Deus e veja como a vida muda. 

Você acredita que o Evangelho pode transformar vidas?

Rev. Dr. José Carlos Pezini 

Você acredita? Você realmente acredita que o Evangelho possa mudar a vida das pessoas? Essa foi a pergunta do meu mentor em uma reunião de mentoria enquanto revelava as 
minhas preocupações. 

Parece uma questão de fácil resolução, de resposta convicta e imediata. No entanto, tais palavras abriram um hiato em minha mente e, em fração de segundos, racharam o meu coração, transformando esse ínfimo tempo no que parecia a eternidade, um espaço longo e interminável. 

Enquanto minha mente impulsiva dizia sim… sim… sim… O meu coração sincero trazia à tona toda a falsa piedade que me treinara para confiar mais em mim mesmo, nos meus recursos e habilidades, em uma capacidade meramente humana, do que em Deus. Sim… em fração de segundos percebi que o Evangelho estava no papel e, eu, estava no controle da minha vida. Deus era apenas o meu parceiro, meu co-piloto. Eu era o comandante. 

Então, quando as coisas davam certas era porque Ele tinha me AJUDADO. E, quando davam erradas, certamente, Ele não tinha me orientado direito. O comando nunca era dele. Ele nunca levou o crédito sozinho, apenas os dividendos. E, é claro, quando as coisas saíam do controle, a culpa nunca foi só minha. Logo, acreditar que o Evangelho tem poder para transformar as pessoas significava o mesmo que dizer que EU tinha feito um bom trabalho. Por isso, a pergunta parecia tão difícil de responder. 

Porém, a mudança já tinha começado, a estrada sem retorno, a caminhada rumo à cruz que todo cristão deveria fazer, dia após dia. Não falo da salvação da morte e do pecado, mas, do fato de ser salvo de mim mesmo todos os dias. 

Quando Deus deixa de ser apenas o fundamento para meras afirmações teológicas, o Cristo sai do crucifixo, o Evangelho torna-se animado e a vida cristã sai do papel, a única possibilidade que se tem é ver o Evangelho realmente transformando vidas. E, isso, não é algo que se diz, mas que se experimenta. 

Então… Sim… A resposta ao meu mentor foi sim. No entanto, novas perguntas surgem a cada dia e minhas questões são respondidas diariamente enquanto eu caminho com o Eterno em uma longa estrada na mesma direção. Pois, na vida com Deus, nada como um dia após o outro para nos ensinar a negarmos a nós mesmo, tomar a nossa cruz e simplesmente prosseguir. 

Ele não me ofereceu uma casa, um carro ou sapatos confortáveis, mas, sim, uma boa conversa e um ombro amigo. 

Razões para participar de uma célula

Lourival Pupo 

Em meados dos anos 2000, a igreja na qual era membro começou a desenvolver um trabalho com células. Tudo aquilo que é novo causa duas reações, a primeira é um sentimento de perda, e isso tem haver com a nosso desejo de que as coisas estejam de acordo com a nossa vontade. Uma segunda reação é de que algo novo estava para acontecer e isso era muito bom. Confesso que a principio, eu estava inclinado para a primeira reação. Desde então, nossa comunidade tem participado de células. Algumas denominações têm aversão ao nome célula, por causa de alguns desvios e exageros. Creio que isso seja normal.  Bom, essa reação ao nome tem levado algumas igrejas a chamar por outros nomes aquilo que na prática funciona da mesma forma. Antes falar sobre o porque participar de uma célula, me permita dizer algumas razões pelas quais algumas 
pessoas não tem participado. 

1. É um lugar de fofoca. Realmente, se o grupo não estiver alinhado no propósito para o qual foi chamado, ele pode se desviar por caminhos diferentes dos quais foi criado para ser. 

2. Eu tenho vergonha de falar. Eu já ouvi muito sobre isso, na realidade, muitas pessoas não desejam colocar pra fora (ter um momento de catarse) algumas coisas que já deveriam ter saído de suas vidas. 

3. Eu prefiro um grupo grande. Quando alguém me fala algo assim, eu penso que essa pessoa deseja ficar no anonimato, sem relacionamentos com as pessoas, e isso é geralmente ruim. 

4. Eu prefiro ter um tempo com minha família. Essa pessoa ainda não compreendeu que a sua relação familiar é um tipo de célula e que a vivência em pequeno grupo fará muito bem a sua família. Na realidade, nossos filhos enxergam aquilo que priorizamos em nossa vida. Se nos dedicarmos a termos tempo com Deus por meio das células, eles verão que isso é importante. 

Depois de falar um pouco sobre algumas desculpas, passo a apresentar algumas razões do porque participar de uma célula. 

1. Tempo com Deus. Vivemos dias tão corridos, somos movidos pelo relógio, o tempo parece não ser suficiente para tudo o que precisamos fazer. Diante de uma realidade tão cruel, é fundamental um tempo de parada para ouvir Deus. E, Creio que a célula seja esse lugar de parada. Alguns podem dizer que tem seu tempo de devoção em casa, entretanto, o que tenho observado é que, isso é mais uma desculpa. Na célula louvamos a Deus, oramos, lemos a Palavra e aplicamos a nossa vida, somos desafiados a cumprir o chamado missional em nossas vidas, dentre outras coisas. 

2. Tempo com irmãos na fé. Se a nossa parada para um tempo com deus já difícil, imaginas para com os nossos irmãos na fé. Na célula, podemos pastorear uns aos outros, o irmão que está ao meu lado é usado por Deus tanto quanto eu. O encontro da célula torna-se um momento no qual vivenciamos a Koinonia, que numa tradução livre significa experimentar a vida juntos, ou seja, é compartilhar um tempo, que é precioso, de minha vida com o outro, com isso, deixamos um pouco de nosso egoísmo, e podemos viver aquilo que Jesus viveu e nos ensina, pois ele viveu assim com os discípulos. 

3. Exercícios dos dons. Se existe algo que nos leva ao amadurecimento em nossa fé, é quando usamos nossos dons. Cada pessoa tem o seu dom. E isso é evidente nas listas de dons contidas no Novo Testamento. O ponto em questão é que muitas pessoas nem sabem qual é o seu dom. Sendo assim, a célula se torn um instrumento para descoberta e uso ao mesmo tempo. Alguns se veem como um conselheiro, outro como intercessor, ainda mais um como um músico ou alguém que conduz o louvor. As possibilidades são infinitas. 

4. Cura para o nosso interior. Minha última razão está relacionada com as nossas mazelas interiores. A grande maioria das pessoas tem dificuldades, problemas que escondem e não com quem compartilhar. Na célula, quando vivenciamos de forma correta, torna-se um ambiente saudável, onde as pessoas tem liberdade para abrir o coração, e assim, serem curadas. Quando falamos, e deixamos aquilo que nos afligi estamos a um passo da cura. 

Creio que existam outras razões para ir a uma célula, mas por enquanto essas são oportunas. Quando estou escrevendo, penso na realidade da igreja que faço parte, talvez, isso não adequa-se à sua realidade. Abraço fraterno. 

A dor desconhecida

Karl Vater 
Pastor da Cornerstone Christian Fellowship in Fountain Valley, California 

A dor de um pastor é intensificada debaixo de impiedosos holofotes, enquanto a dor de outro é desconhecida. Ambas doem igualmente. Há uma epidemia, outro pastor que se esgota. 

Não fica mais fácil. Não importa quantas vezes você ouça sobre isso. E estamos ouvindo muito sobre isso ultimamente. Em números epidêmicos. 

Esgotamento 

Outro pastor anunciou à sua chocada congregação que ele não podia mais. Ele os amava. Ele estava orgulhoso do trabalho do Reino que haviam feito juntos por anos. Mas suas prioridades estavam desajustadas. Ele havia posto todo seu tempo e energia na igreja e havia negligenciado sua própria saúde espiritual e emocional. Ele pediu à congregação que orasse por ele e sua família enquanto enfrentavam a próxima fase difícil de suas vidas – sem saber o que esta fase traria. 

Então ele reuniu a congregação de 20 pessoas na frente da igreja para orarem juntos uma última vez. Ele por eles. Eles por ele e sua família. Oraram, abraçaram, choraram e disseram adeus. 

Enquanto escrevo esse artigo, aquele pastor está encaixotando seus pertences numa van para se mudar da pequena cidade que eles chamaram de lar por mais de uma década. Por agora, eles vão viver com os pais da esposa para se recuperarem. 

Não é o único 

Infelizmente, aquele pastor não foi o único a ter uma história dessas. Aconteceu com centenas. Este ano, milhares vão deixar o ministério, esgotados e machucados. De igrejas grandes e pequenas, em crescimento e estagnadas. 

Ouvimos quando os pastores famosos desistem ou se esgotam. É o preço da fama. E é muito alto. Tanto o sucesso quanto as falhas são ampliadas. Mas um preço diferente é pago por aqueles que não são conhecidos fora de suas famílias em pequenas congregações. 

Esquecidos… 

Enquanto os sucessos e dores de pastores conhecidos são destacados, os sucessos e dores de pastores de igrejas pequenas são ignorados e esquecidos. Ambos são igualmente machucados. Ambos carregam o peso dos problemas que os levaram a deixar a igreja, e frequentemente o ministério. A dor do pastor da mega igreja é intensificada por falhar debaixo das luzes da ribalta, enquanto que a dor do outro é aumentada por cair no anonimato. Esquecido por quase todos. Ambos os cenários são tóxicos. 

Eles entristecem o coração de Jesus, prejudicam Sua igreja, devastam com as famílias dos pastores, arruínam ministérios e tornam difícil aos membros da igreja confiar num pastor novamente – ou confiar em Deus novamente.  

Não precisa ser desse jeito. Não deveria ser desse jeito. 

Precisamos fazer alguma coisa 

Precisamos abandonar as expectativas não bíblicas que foram colocadas nos ombros dos pastores. Ou que nós próprios colocamos nos nossos ombros. 

Pastores nunca foram destinados a carregar esse fardo tão grande. Nenhuma pessoa é capaz de ser pregador, professor, “lançador de visão”, CEO, líder, evangelista, ganhador de almas, angariador de recursos, conselheiro matrimonial, e todo esse modelo de virtude que esperamos que os pastores sejam – muitos deles enquanto trabalham a tempo inteiro fora das paredes da igreja. 

Mas tem sido assim por tantos anos que às vezes parece uma locomotiva sem freio que não pode ser parada. Precisa ser parada. 

Dizer “não” 

Ninguém pode parar essa locomotiva a não ser nós, pastores. Precisamos dizer “não”. Para alguns de nós, isso significa dizer não às expectativas irracionais dos nossos membros, diáconos e oficiais da denominação. Mas para todos nós significa dizer não às nossas próprias expectativas não bíblicas. Dizer não a um paradigma que nós construímos e perpetuamos em volta de uma combinação dos nossos egos e inseguranças. 

Nós não somos os construtores da igreja, Jesus é. Não somos capazes de nos matarmos de trabalhar emocionalmente e espiritualmente sem que alguma coisa quebre dentro de nós. 

Não podemos continuar nos forçando fisicamente com poucas horas de sono, muita comida e pouca atividade física. 

Não podemos continuar negligenciando nossas esposas e famílias enquanto queimamos a vela dos dois lados e não esperar que todo mundo – nossas famílias, igrejas e nós mesmos – pague um enorme preço por isso. 

Ministério 

Precisamos redefinir com que o sucesso ministerial se parece, porque muitas pessoas boas estão sendo machucadas enquanto perseguimos nossa atual e insuportável versão de sucesso. 

Faça uma pausa hoje. Respire. E ore. 

Oração 

Ore pelos pastores feridos, conhecidos e desconhecidos, que deixaram uma igreja que eles amavam – e talvez ainda amem. 

Ore pelos pastores famosos sofrendo debaixo da insuportável luz da ribalta. 

Ore pelos pastores desconhecidos que se sentem perdidos e esquecidos. 

Ore pelas famílias que suportaram anos de dor em silêncio, e que agora têm suportado ainda mais. 

Ore pelos membros da igreja que não sabem se se sentem bravos, tristes ou outra coisa. 

Ore para que o Deus que prometeu que Seu jugo era suave e o seu fardo leve, alivie os fardos mais pesados que nós colocamos sobre nossos próprios ombros. E que troque por Sua paz, Seu conforto e Sua esperança.”